Foto/Reprodução: Internet

No calendário do ano de 2021, o Carnaval estava previsto para o dia 13 de fevereiro ao dia 16, o que significaria que este período em Fortaleza seria marcado por foliões esperando a chegada dessa tão desejada data. E o Mercado dos Pinhões, este famoso ponto histórico-cultural é conhecido por proporcionar um dos melhores pré-carnavais de Fortaleza, com muitos shows, glitter e alegria. 

Localizado na Praça Visconde de Pelotas (Pinhões), foi implantado no dia 12 de julho de 1938. Sua estrutura é em ferro fundido, remanescente de uma das partes do Mercado de Ferro construído em fevereiro de 1896 e inaugurado a 18 de abril de 1897, na área central de Fortaleza, na mais conhecida Praça Waldemar Falcão, a qual comporta ainda alguns edifícios de interesse cultural, tais como o Palácio do Comércio, a agência do Banco do Brasil e a sede dos Correios e Telégrafos.

O Mercado de Ferro foi dividido em 1938 devido ao destaque que tivera o Mercado Central, a partir de 1932, e ao decreto nº 52 de 19 de dezembro de 1937 da Câmara Municipal, na gestão do Dr. Raimundo de Alencar Araripe A outra parte do Mercado de Ferro foi implantada em 20 de março de 1968 no bairro da Aerolândia, localizada na BR-116, nº 5431.

A vista disso, esta obra que foi erguida na administração do intendente (prefeito) Guilherme César da Rocha e do presidente Antônio Pinto Nogueira Accioly, entre 1896-1897, realizada com dinheiro conseguido através de bilhetes de crédito conhecidos como “borós”, utilizou o ferro pela primeira vez, não só como ferramenta de suporte, mas, como bela ornamentação francesa, nas oficinas de Guillot Pelletier, em Orleans, idealizada pelo engenheiro arquiteto Lefévre, seguindo uma prática em voga na Europa.

O Mercado, antigamente, servia como local de venda de carne fresca e de verduras. Isso simbolizava a tentativa de consolidar os princípios da modernidade, salubridade e do progresso em Fortaleza, no final do século XIX e no início do século XX, associado a outras normas impostas às demais edificações, entre eles logradouros e praças existentes, como por exemplo, ao Passeio Público e à Santa Casa de Misericórdia.

O enquadramento do espaço comercial, o uso do ferro e, ainda, as calçadas em granito cearense, além de deixar a comunidade local repleta de orgulho e encanto, incentivaram um processo de aceitação desse tipo de empreendimento por parte da população que comercializava e consumia vários gêneros alimentícios e especiarias vendidas nas ruas ou em locais não autorizados, sem a aprovação da fiscalização pública, evitando as leis provinciais.

Desse modo, o Mercado de Ferro, hoje representa o resultado de um conjunto de ações civilizatórias ligadas ao controle social, a reformas urbanas, a espetacularização das mercadorias e, portanto, a criação do desejo de consumo. No início, essas marcas foram repassadas, de forma literal e concretamente, para as bases do Mercado dos Pinhões, que hoje se encontra em um ótimo estado de conservação, sendo propriedade da Prefeitura de Fortaleza.

O local funciona atualmente como ponto comercial de artesanato, de alimentos e promoção de cursos, oficinas, com uma agenda cultural bastante diversificada, possui atrações para todas as idades e para as mais diversas preferências. Além disso, conta com boxes que vendem comidas e bebidas, durante os eventos, são disponibilizados mesas e cadeiras para o público

Com toda essa estrutura e organização, o Mercado dos Pinhões apresenta-se como uma grande opção de cultura e lazer gratuita aos fortalezenses e turistas que deve ser, cada vez mais, valorizada.