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Veneza inicia festival de cinema enquanto o mundo entra em recessão

O primeiro grande festival de cinema desde o surgimento do coronavírus começa nesta quarta-feira em Veneza, enquanto na área econômica, depois da Índia na segunda-feira e do Brasil na terça, a Austrália entrou em recessão pela primeira vez desde 1991, com a queda de 7% do PIB no segundo trimestre.

A crise econômica global não impede o início da disputa pelo Leão de Ouro com muitas máscaras e câmeras térmicas, enquanto milhões de crianças europeias voltaram à escola com instruções de saúde estritas.

“Precisamos encontrar coragem para reabrir os cinemas, para voltar a produzir filmes”, disse à AFP o diretor da Mostra, Alberto Barbera. “Todas as medidas de precaução foram tomadas”, justificou, antes de destacar que “é hora de recomeçar”.

Realizar a 77ª edição do mais antigo dos festivais de cinema não era, de forma alguma, algo evidente na Itália, um dos países da Europa mais atingidos pela pandemia de covid-19. O grande rival histórico, o Festival de Cannes, não pôde ser realizado em maio.

Mas o evento acontecerá com uma redução drástica e várias medidas de saúde.

As informações não convenceram Walter, um motorista de táxi aquático local. “É um festival político, que deve acontecer de qualquer jeito, mesmo sem conteúdo, para mostrar que Veneza ainda está viva”, estimou.

Por sua vez, privados de turistas estrangeiros, os hotéis de luxo da capital francesa também apostam na reabertura após cinco meses e meio de inatividade e procuram atrair para os seus restaurantes ou spas uma clientela parisiense, uma estratégia que pode não ser suficiente para manter o fluxo.

Sem reservas

Sem reservas, a maioria dos estabelecimentos cinco estrelas em Paris adiou a reabertura: menos de um terço retomou as atividades neste verão, segundo a empresa especializada MKG Consulting.

Esses estabelecimentos têm “uma responsabilidade social em relação às lojas, aos motoristas de táxi, que dão vida ao seu redor e aos seus fornecedores”, afirma François Delahaye, proprietário do Le Meurice e do Plaza Athénée.

Os dois palácios reabriram na terça-feira, como o Bristol e o Park Hyatt Paris-Vendôme, mas alguns mantêm as portas fechadas, como o Lutetia, que aguarda o dia 24.

Por outro lado, as Ilhas Maldivas, reabertas ao turismo em meados de julho, decidiram nesta quarta-feira reforçar as condições de entrada impostas aos visitantes após um surto de casos de coronavírus em mais de uma dezena de complexos turísticos.

Desde a reabertura dos complexos turísticos, 29 funcionários locais e 16 estrangeiros testaram positivo e foram colocados em isolamento nas instalações.

A Grécia, outro destino turístico, registrou nesta quarta-feira o primeiro caso de contaminação no campo de migrantes de Moria, o principal do país, na ilha de Lesbos, onde cerca de 13 mil demandantes de asilo vivem em condições insalubres.

A Austrália, por outro lado, entrou em recessão após quase três décadas de crescimento. “Nossa série recorde de 28 anos consecutivos de crescimento econômico acabou. A causa: uma pandemia que só acontece uma vez por século”, disse o secretário do Tesouro, Josh Frydenberg.

A Índia revelou na segunda-feira uma queda sem precedentes de 23,9% de seu PIB em ritmo anual. Na terça-feira, o Brasil, maior economia da América Latina, informou um tombo recorde de 9,7% entre abril e junho.

Por outro lado, a China evitou a recessão ao conter a epidemia em seu território. O PIB recuperou 11,5% no segundo trimestre, após queda de 10% no primeiro.

Pequim anunciou nesta quarta-feira a retomada gradual dos voos internacionais para a capital chinesa, em um contexto de clara melhora da situação da saúde.

Os Estados Unidos, por sua vez, prorrogaram até o final do ano as medidas de proteção para as famílias que lutam para pagar o aluguel ou empréstimos.

A pandemia matou mais de 851.000 pessoas em todo o mundo desde o final de dezembro. Mais de 25,5 milhões de casos de infecção foram diagnosticados, dos quais mais de 4 milhões na Europa.

Os Estados Unidos (184.589 mortes) e o Brasil (122.596 mortes) continuam sendo os países mais afetados.

Volta às aulas

Na Europa, dezenas de milhões de crianças francesas, belgas, ucranianas e russas voltaram às escolas, muitas delas desertas por quase seis meses.

No entanto, por causa da covid-19, apenas um em cada três alunos no mundo encontrará o caminho de volta às salas de aula, de acordo com a Unesco.

Nas escolas francesas, o uso de máscara é obrigatório para professores e alunos a partir dos 11 anos. “A máscara no rosto o dia todo estraga a espontaneidade”, lamentou Matthieu, professor em Val-de-Marne, perto de Paris.

No âmbito das pesquisas, um estudo publicado na terça-feira pela revista americana Physics of Fluids estabeleceu que usuários de viseiras de plástico e máscaras com válvula espalham por uma grande área gotículas após um espirro ou tosse: esses acessórios são, portanto, ineficazes.

Mas o medo nem sempre é um bom conselheiro. Na Suécia, três crianças com entre 10 e 17 anos foram retiradas de suas famílias de origem estrangeira após serem confinadas por quatro meses por seus pais, que falam mal o idioma do país e estavam “assustadas” com o novo surto de coronavírus, anunciou nesta quarta-feira seu advogado.

Foto: Reprodução/AFP 

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Thaynara Pinheiro

Designer de Moda, trabalha com produção de conteúdo, fotografia e tem um pé no design gráfico. Sempre disposta a ajudar e a fazer de tudo para os jobs saírem perfeitos. Responsável pela coordenação de conteúdos, marketing e criação de projetos do Portal Siará News e pela produção do programa Siará Digital.

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