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A campanha de vacinação acelera em vários países, com mais de três bilhões de doses aplicadas em todo mundo, mas sofre a ameaça da contagiosa variante Delta, que provocou o recorde de mortes na Rússia e o confinamento de 10 milhões de australianos.

Menos de quatro semanas depois de superar dois bilhões de doses administradas, na segunda-feira o planeta passou da marca de três bilhões, de acordo com um balanço da AFP com base em dados oficiais dos países, que reflete a aceleração da imunização, mas também a desigualdade entre países.

Os países de “alta renda” (segundo a definição do Banco Mundial) administraram a média de 79 doses para cada 100 habitantes, enquanto nos países mais pobres a média é de apenas uma dose.

América Latina e Caribe, região com mais mortes e contágios acumulados por covid-19, registra média de 37 doses para cada 100 habitantes de média, levemente abaixo da média mundial (39).

“Para acabar com a pandemia, precisamos de mais vacinas. A iniciativa multilateral Covax garante que as vacinas sejam distribuídas de maneira justa e cheguem aos países que mais precisam”, declarou nesta terça-feira o secretário de Estado americano, Antony Blinken, na abertura de uma reunião de cúpula de ministros das Relações Exteriores do G20 em Matera, sul da Itália.

Aumento de contágios na Europa

As vacinas são a barreira mais eficiente contra a perigosa variante Delta, presente em pelo menos 85 países e que se propaga com rapidez entre as pessoas ainda não imunizadas.

Até o momento, o novo coronavírus provocou pelo menos 3,92 milhões de mortes e mais de 181 milhões de casos no mundo.

Na Europa, depois de dois meses e meio de redução progressiva do número de contágios, os casos de covid-19 voltam a aumentar, registrando a média de 56.800 casos por dia, 21% a mais que na semana passada.

Esta variante é responsável pela mais recente onda epidêmica na Rússia, um dos países mais afetados do mundo. Nesta terça-feira, foi registrado o maior número de mortes em apenas um dia desde o início da pandemia, 652.

A Rússia é o país mais afetado da Europa pela doença, com 134.500 mortes, em seu balanço oficial, e o segundo com mais mortes nas últimas 24 horas, atrás apenas da Índia (907).

O epicentro da onda é a capital do país, Moscou. Os leitos dedicados aos pacientes de covid-19 nos hospitais da cidade têm uma taxa de ocupação de 75%.

Para enfrentar a situação, as autoridades determinaram o teletrabalho para pelo menos 30% das pessoas não vacinadas, anunciaram a obrigatoriedade da vacinação para os funcionários do setor de serviços e criaram um certificado de saúde para autorizar a entrada nos restaurantes.

Mas, assim como durante a onda de contágios de dezembro, as autoridades não cogitam um confinamento rígido para preservar a economia.

Corpos no rio Ganges

Estratégia muito diferente da adotada na Austrália, que voltou a confinar quase 10 milhões de cidadãos para conter o aumento de casos de covid-19, especialmente da variante Delta.

Depois dos habitantes de Sydney, os moradores de Darwin, Perth, Brisbane e várias áreas do estado de Queensland terão de ficar em casa a partir da noite de terça-feira, por pelo menos menos três dias.

“São decisões difíceis. Há confinamentos nas grandes cidades, porque o vírus entra com as chegadas do exterior”, declarou a primeira-ministra do estado de Queensland, Annastacia Palaszczuk

Na Índia, onde a variante Delta foi identificada pela primeira vez, a situação melhora, mas a recordação das semanas difíceis de abril e maio, com hospitais e crematórios em colapso, retorna no sagrado rio Ganges.

Por falta de espaço, ou de recursos, muitas famílias do norte e do leste da Índia se viram obrigadas a entregar os corpos de seus entes queridos às águas do Ganges, rio sagrado para os hindus. Outras optaram por enterrar as vítimas em sepulturas pouco profundas nas margens de areia do grande rio.

Com o início das chuvas de monções, as inundações provocaram fortes correntes que desalojaram os mortos enterrados nas margens do rio.

“Foi muito triste ver pessoas pobres enterrando seus entes queridos de maneira indigna, mas o aumento do nível da água piorou as coisas”, disse à AFP Sonu Chandel, barqueiro que trabalha em um crematório nas proximidades do Ganges.