Helicóptero do Exército da Índia sobrevoa uma área montanhosa em Leh (Índia), na fronteira com a China | Fonte: AFP

Tropas indianas e chinesas entraram em confronto na semana passada na disputada fronteira no Himalaia, em novos incidentes que deixaram feridos em ambos os lados, seis meses após combates mortais, informaram nesta segunda-feira (25) fontes militares e meios de comunicação indianos.

O incidente ocorreu na semana passada na passagem de Naku, no estado de Sikkim (nordeste), disseram fontes militares à AFP, enquanto a mídia nacional, citando oficiais indianos, falava de vítimas em ambas as forças.

Uma patrulha chinesa tentou cruzar o território indiano antes de ser rechaçada, disseram os responsáveis. Naku liga Sikkim à região do Tibete na China.

No entanto, o exército indiano minimizou a importância desses combates, classificando-os como um “confronto menor”.

Em um breve comunicado, também disse que as tensões foram “resolvidas pelos comandantes locais conforme os protocolos estabelecidos”.

Quatro soldados indianos ficaram feridos, segundo fontes do governo, enquanto o Exército Popular da Libertação (EPL) chinês mencionou várias baixas entre suas fileiras.

Os detalhes foram revelados na véspera no Dia da República da Índia, que será celebrado na terça-feira em Nova Délhi com um desfile para mostrar os últimos equipamentos militares.

Apesar das últimas discussões para diminuir as tensões entre os dois comandos militares no domingo, o incidente expõe o aumento da tensão nas relações entre Índia e China.

O ministério das Relações Exteriores chinês disse que não tem “nenhuma informação sobre o incidente”.

Seu porta-voz, Zhao Lijian, destacou que os soldados chineses “se dedicam a manter a paz e a tranquilidade na região fronteiriça”, e pediu à Índia “para trabalhar na mesma direção”.

Tensões corpo a corpo

“Para Pequim, o Himalaia não é nada além de outro palco em um panorama mais amplo (…). Ao agir dessa forma com a Índia, e com suas medidas relacionadas a Taiwan, os chineses querem ver como o governo de Biden reagirá nessas múltiplas frentes”, disse à AFP Harsh V. Pant, professor de relações internacionais no King’s College de Londres.

Combates corpo a corpo na fronteira de Sikkim em maio reacenderam as tensões fronteiriças entre os dois países vizinhos, os mais populosos do mundo.

Em junho, pelo menos 20 soldados indianos e um número desconhecido de forças chinesas morreram em confrontos na fronteira no Himalaia na região de Ladakh.

A chamada linha de controle efetivo (Lign of Actual Control, LAC), a fronteira de fato entre Índia e China, não está devidamente delimitada.

Seguindo uma antiga prática para evitar um confronto militar direto, os dois exércitos não usam armas de fogo em sua fronteira.