Washington (AFP) – Os preços ao consumidor nos Estados Unidos aumentaram 0,3% em agosto em relação a julho, enquanto a inflação em 12 meses diminuiu para 5,3%, segundo dados oficiais publicados nesta terça-feira (14), que sustentam a teoria de alguns economistas de um fenômeno temporário de aumento dos preços.Os aumentos da gasolina continuam sendo o principal impulsionador do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês), mas ao excluir os preços voláteis da energia e dos alimentos, a inflação subjacente foi de apenas 0,1%, seu menor registro desde fevereiro, informou o Departamento de Trabalho.Nos últimos doze meses até agosto, a inflação subjacente foi de 4%, três décimos abaixo em relação ao salto anual em julho.A inflação foi menor do que o esperado pelos economistas e o relaxamento da pressão sobre os preços dá força ao argumento do Federal Reserve (Fed, banco central americano) de que os aumentos de preços recentes se devem a fatores temporários que vão se evaporar à medida que a maior economia do planeta se recupera da pandemia da covid.Os preços dos combustíveis subiram à medida que os americanos voltaram a viajar de carro e avião. A gasolina subiu 2,8% em agosto, o terceiro aumento mensal, após os ajustes da temporada de verão. Subiram 42,7% no último ano, segundo o informe.Enquanto isso, os carros novos, cuja produção é fortemente perturbada pela escassez mundial de microchips, viram seus preços subirem 6,4% em relação a agosto de 2020. Trata-se da alta mais importante desde janeiro de 1982 para o setor.Ao contrário, os preços dos carros usados diminuíram pela primeira vez desde fevereiro (-1,5%). Em 12 meses, o aumento continua sendo importante, de 31,9%.As passagens de avião diminuíram entre julho e agosto (-9,1%) por causa da variante delta do coronavírus, que dificulta os deslocamentos.- O problema do abastecimento -As dificuldades mundiais de fabricação e entrega de produtos por causa da pandemia há um ano pressionaram a alta dos preços de muitos produtos.Mas, “parece que o impacto das perturbações da cadeia de abastecimento e a escassez também se detêm, (é) uma evolução positiva”, reflete Rubeela Farooqi, economista-chefe da High Frequency Economics, em nota, após a queda da taxa anual de inflação de 5,4% em julho para 5,3% em agosto.Da mesma forma, a inflação em 12 meses continua sendo muito alta, próxima de seu maior nível em 13 anos.- “Cedo demais para cantar vitória” -A inflação deveria permanecer “alta e persistente porque os desequilíbrios entre oferta e demanda só serão resolvidos progressivamente”, destacou Kathy Bostjancic, economista da Oxford Economics.Esta especialista espera que a inflação se situe acima de 2% durante todo o ano de 2022.Estes dados serão observados detalhadamente por membros do Comitê Monetário do Federal Reserve (Fed), que se reúnem na semana que vem.O Fed deveria reforçar “esta leve queda da inflação” em 12 meses, destacou a economista Diane Swonk, da Grant Thornton, em um tuíte.No entanto, adverte, “é cedo demais para cantar vitória (…) A chave é saber qual efeito a escassez (de materiais) e a variante delta e suas sucessoras terão sobre a demanda”.O Fed também leva em conta para estabelecer seus alinhamentos de política monetária o emprego, que teve um desempenho medíocre em agosto depois de uma forte melhora em junho e julho.O banco central considera mais relevante de qualquer forma outro índice da inflação, o PCE, que em julho registrou 4,2% em 12 meses frente a 4% em junho, embora também tenha registrado uma leve queda de 0,5% em junho a 0,4% em julho.