STF declara 'suspeito' juiz Sergio Moro, que condenou Lula | Foto: AFP

O Supremo Tribunal Federal (STF) considerou nesta terça-feira (23) que o juiz Sergio Moro agiu com “parcialidade” no julgamento que levou à primeira condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por denúncias de corrupção.

A segunda turma do STF tomou esta decisão por 3 votos a 2, após uma mudança de último minuto da posição da ministra Carmen Lúcia, que inicialmente havia rechaçado a demanda apresentada pela defesa de Lula.

A decisão é um duro golpe na gigantesca operação anticorrupção Lava Jato, da qual Moro é a principal figura.

“Vitória da verdade”, escreveu no Twitter o Instituto Lula com uma foto do petista em um encontro com apoiadores e a frase “STF decide: Moro suspeito”.

A defesa do ex-presidente Lula (2003-2010) alega que Moro prejudicou o ex-presidente ao longo de toda a investigação do processo e agiu com motivações políticas.

Entre os exemplos citados, está o de ter impedido Lula de se candidatar às eleições presidenciais de 2018, para as quais ele era o favorito, e de ter aceitado em seguida ser ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro, vencedor daquele pleito.

“Esperamos que o julgamento realizado hoje pela Suprema Corte sirva de guia para que todo e qualquer cidadão tenha direito a um julgamento justo, imparcial e independente, tal como é assegurado pela Constituição da República”, afirmaram em nota os advogados do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin e Valeska Zanin Martins.

Lula sempre se declarou inocente da dezena de ações abertas contra ele e as atribuiu a uma conspiração para impedi-lo de disputar as eleições de 2018.

Uma tese que ganhou força quando o The Intercept Brasil revelou em 2019 conversas entre Moro e os procuradores de Curitiba, nas quais aparentemente havia uma coordenação para encaminhar certos casos.

As gravações hackeadas não entraram nas provas apresentadas pela defesa, mas pesaram nos debates, afirmam especialistas.

A ministra Carmen Lúcia explicou que desde as primeiras sessões deste caso, que começou em dezembro de 2018, “foi mudando o contorno, o cenário e a compreensão que se tinha [do processo]”.

Ela insistiu, no entanto em que o julgamento concerne em um caso específico e não constitui uma desqualificação da Lava Jato, operação que desde 2014 levou para a prisão dezenas de grandes empresários e políticos da maioria dos partidos políticos.

“Não estou emitindo juízo no voto sobre o combate à corrupção, que não pode de jeito nenhum parar”, afirmou.

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