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Saúde mental, uma parceira fundamental na quarentena

Um mundo novo surgiu quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a pandemia da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus e, no Brasil, começaram as primeiras iniciativas para mitigar a proliferação da doença. A quarentena mudou hábitos e não seria diferente para médicos-veterinários e zootecnistas.

Enquanto o funcionamento de clínicas de pequenos animais é considerado serviço essencial e médicos-veterinários são reconhecidos como profissionais da linha de frente na emergência de saúde pública, muitos zootecnistas trocaram o pé na terra e o contato diário com o campo por plataformas on-line para realizar reuniões, videoconferências e atendimentos remotos. Aulas teóricas on-line, permitidas temporariamente pelo Ministério da Educação, e a suspensão das atividades práticas desafiam estudantes.
Tantas dúvidas, novos aprendizados, incertezas sobre o futuro e, em alguns casos, insegurança financeira, podem se tornar motivos de angústia e ansiedade. A psicóloga Larissa Polejack, diretora de atenção à saúde da comunidade universitária da Universidade de Brasília (UnB), afirma que o medo da doença aumenta a ansiedade, assim como o receio da instabilidade financeira e a sensação de estar tudo fora do lugar. Excessos de comida, bebida alcoólica e drogas ilícitas podem ocorrer, bem como tristeza exacerbada gerada pela perda de alguém próximo para a epidemia ou pelo adiamento de projetos.
“São sintomas naturais, no atual contexto. Para se cuidar, primeiramente, é importante reconhecer o que está sentindo. Não temos controle sobre tudo, então a saída é focar naquilo em que podemos agir: organizar uma rotina, tomar medidas de precaução para não se contagiar e não fazer do distanciamento social isolamento afetivo. Conversar on-line, ligar para alguém com quem não fala há tempos, buscar atividades na internet são estratégias para passar por este momento”, cita Larissa.
Um momento de luto coletivo por perdas simbólicas, como a da liberdade de ir e vir. Assim o psicólogo clínico Carlos Aragão define a quarentena. Doutor em Psicologia Clínica e Cultura, pela UnB, ele diz que não adianta negar a existência e letalidade do vírus, pois isso tem consequências. “Existe uma realidade e precisamos lidar com ela da melhor forma”, esclarece.
No entanto, destaca Aragão, há pessoas com maior ou menor repertório para enfrentar a situação. Quem já tem uma vulnerabilidade psicológica fica com a saúde mental mais abalada, pois impotência e incerteza geram muita dor psicológica. “Se pensarmos bem, a vida é imprevisível e impermanente. Isso agora se apresenta com intensidade maior e de forma mais potente em pessoas vulneráveis, gerando uma angústia que pode paralisar, em vez de proteger. O problema não é o problema em si, mas a forma como se lida com ele”, resume.

Resilência: crise e oportunidade

Quem se adapta a novas situações levará vantagem, sejam zootecnistas atendendo de forma remota e reorganizando a rotina, médicos-veterinários reforçando medidas de higiene e precauções, criando formas seguras para atender em clínicas e hospitais, ou estudantes sem aula presencial. Nas vigilâncias sanitárias e atividades de produção animal, os cuidados são redobrados, criando novos parâmetros.
Por outro lado, o psicólogo lembra que a adversidade é uma mola propulsora da criatividade. “Estamos saindo da zona de conforto e nem todos sabem lidar com mudanças. O momento adverso nos obriga a ser mais resilientes e nos reinventarmos. Que bom seria se todos vissem isso como oportunidade de evolução pessoal, profissional e emocional”, assinala Aragão.
O médico-veterinário Rodrigo Rabelo acredita que houve muita insegurança entre os profissionais, nos primeiros dias, até que estados permitissem oficialmente o funcionamento das clínicas veterinárias, mas agora percebe os colegas mais tranquilos. Pessoalmente, aproveitou a quebra na rotina para pôr em prática projetos que estavam em segundo plano, por falta de tempo. “Um deles é a plataforma de educação continuada on-line para profissionais, que já começou a rodar”, conta.
Um aspecto para o qual os três alertam é o cuidado em relação ao excesso de informações. Rabelo diz que é obrigação do profissional seguir recomendações técnicas baseadas em evidências. “Não se pode é ficar preso a reporte de casos como de gatos e tigres que testaram positivo, gerando pânico, nem entrar na onda de testar animal. Tem que ter cuidado e buscar informação oficial, evitando ficar bitolado e preso demais a telas”, observa.
Informar-se por fontes confiáveis ajuda a tomada de melhores decisões, completa Larissa. “Mas se a informação gera angústia, preocupação e desorganização, ela está sendo excessiva. Saibamos conhecer nossos limites e usá-la para nos preservar”, diz a psicóloga, que completa: “Fake news não ajudam ninguém, verifique sempre antes de compartilhar, pois informação errada pode gerar ainda mais desequilíbrio às pessoas”.
Aragão lembra que as redes sociais podem ter um papel muito positivo, se usadas com discernimento. “Tenho assistido lives muito boas para me divertir e aprimorar conhecimentos. Use o seguinte critério: isso fará o meu dia melhor? A tecnologia está aí para ajudar as pessoas a se encontrar, a falar. Mau uso leva a um impacto ainda mais negativo”, pontua o psicólogo.

Tudo passa

– Busque o que e quem te faça bem. Higiene mental, assim como a do corpo, ajuda a superar o momento com serenidade. Mantenha contato com as pessoas mais importantes da sua vida.
– Exercite-se em casa, pois atividade física ajuda a liberar os hormônios do bem-estar. Evite o consumo excessivo de álcool, que prejudica o sistema nervoso central.
– Mantenha os tratamentos de saúde que já vinha fazendo e não se automedique.
– Para quem tem algum tipo de fé, é hora de, sem extremismos, reforçar os laços com o sagrado, o é uma forma de manter a esperança.
– Aprimore a escuta. Se perceber que você ou alguém do seu entorno está em sofrimento, sem ânimo, melancólico, busque ajuda. Saber a hora de pedir auxílio é sinal de inteligência.
– Entenda a importância da sua profissão, dos animais e da sua função social e responsabilidade para evitar que sejam maltratados ou abandonados.
– Faça o bem para alguém, envolva-se em campanhas solidárias, ajude um vizinho idoso. Isso é um fator de proteção para você também.
– Médicos-veterinários são profissionais da linha de frente na atenção à saúde, precisam ajudar a população a manter a calma e a tomar decisões corretas.
– Zootecnistas têm papel preponderante para que o campo siga produzindo alimentos e na manutenção da segurança alimentar da população.
Imagem: Pixabay
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Edinaele Sousa

Jornalista e Produtora, 22. Além de registrar fatos, o jornalismo escreve histórias que serão contadas por gerações.

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