Reverendo Amilton Gomes de Paula na CPI da Pandemia Foto: Foto: Pedro França/Agência Senado

O reverendo Amilton Gomes de Paula, que negociou venda de 400 milhões de doses de vacina para o governo, chorou nesta terça-feira (3) durante seu depoimento à CPI da Pandemia.

“Eu creio que o maior erro que fiz foi abrir as portas da minha casa aqui em Brasília. Sou de Brasília. Eu abri a porta da minha casa num momento que eu estava enfrentando a perda de um ente querido da minha família. E eu queria vacina para o Brasil”, disse o reverendo que chorou em seguida.

Amilton Gomes de Paula também pediu “desculpas ao Brasil”.

“Eu tenho culpa sim. Eu hoje de madrugada, antes de vir pra cá, eu dobrei os meus joelhos, orei, e aí peço desculpa ao Brasil. E o que eu cometi não agradou, primeiramente, aos olhos de Deus”, disse.

Antes do reverendo se desculpar, o senador Jean Paul Prates (PT-RN) fez um pronunciamento contra a atuação do reverendo e reforçou que o intuito e a fundação que ele dirige era o de “enganar”.

“É estelionato puro. Nós estamos diante de falsários e estelionatários que tentam enganar incautos na administração pública e ou beneficiar espertos e oportunistas”, disse Prates.

O senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI, questionou a Amilton sobre o que ele se arrependia. Em curta resposta, o reverendo afirmou: “[Me arrependo] de ter estado nessa operação das vacinas”.

Amilton Gomes é fundador de uma entidade privada chamada Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah). O reverendo é considerado uma peça-chave na investigação da CPI, que tenta esclarecer como o governo brasileiro negociou a aquisição de imunizantes por meio de intermediários.

Amilton Gomes participou da negociação para a venda de 400 milhões de doses da AstraZeneca, em um momento de escassez de doses de imunizantes em todo o mundo. Essa negociação é investigada pela CPI, pelas suspeitas de irregularidades.

O reverendo e a entidade que fundou, a Senah, receberam aval do então diretor de Imunização do Ministério da Saúde Laurício Monteiro Cruz para negociar a vacina AstraZeneca em nome do governo com a empresa americana Davati Medical Supply. O caso foi revelado em reportagem do Jornal Nacional.

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