Londres (AFP) – O governo britânico decidiu adiar a introdução de controles alfandegários completos sobre as importações da União Europeia (UE), buscando uma abordagem “pragmática” no momento em que o Reino Unido já enfrenta dificuldades de abastecimento. “Queremos que as empresas se concentrem na recuperação pós-pandemia em vez de ter que lidar com novas demandas na fronteira, razão pela qual estabelecemos um novo cronograma pragmático para a introdução dos controles nas fronteiras”, anunciou o ministro responsável pelo Brexit, David Frost, em um comunicado à imprensa, nesta terça-feira (14).”Agora, as empresas terão mais tempo para se preparar para esses controles, que serão implantados gradativamente ao longo de 2022″, acrescentou.A pandemia de coronavírus causou problemas de abastecimento no Reino Unido, que são sentidos particularmente no setor agroalimentar, onde novas regras sobre a importação de produtos de origem animal deveriam ser introduzidas a partir do próximo mês.Para dar às empresas mais tempo para se adaptarem, essas regras serão adiadas para 1º de janeiro.O governo decidiu ainda que, enquanto declarações e controles serão introduzidos em 1º de janeiro de 2022, conforme planejado, declarações de segurança e proteção, como os certificados fitossanitários, não serão exigidos antes de 1º de julho de 2022.No Reino Unido, os problemas de abastecimento são amplificados pela escassez de mão de obra, principalmente no transporte rodoviário.Muitos desses trabalhadores, principalmente os do Leste Europeu, voltaram para seus países. Além da pandemia da covid-19, o outro fator foi o Brexit, que dificulta a obtenção de novas autorizações de residência.De acordo com a ministra do Comércio, Liz Truss, os problemas atuais precisam ser tratados “de forma tão flexível quanto possível”.”É muito importante que não exacerbemos a interrupção, adicionando controles neste momento”, comentou Liz, em uma conferência on-line do think tank Policy Exchange, culpando o coronavírus, e não a saída do Reino Unido do mercado único e da união aduaneira, pela situação atual.- Pressão antes do Natal -Para o diretor para a Europa da organização de empregadores CBI, Sean McGuire, o adiamento vai “ajudar a aliviar a pressão sobre as cadeias de suprimentos antes da época de Natal, tradicionalmente movimentada para os varejistas”.”Mas o impacto será efêmero, a menos que esse tempo extra permita avançar nas dificuldades enfrentadas pelas empresas”, alerta a CBI, que defende a conclusão de um “acordo veterinário feito sob medida, que poderia evitar a maioria dos controles e refletir a natureza única do comércio entre o Reino Unido e a UE”.A organização de empregadores também pediu ao governo que flexibilize as regras de imigração.Estimada em cerca de 100 mil, a falta de caminhoneiros está contribuindo para agravar os problemas de escassez que afetam supermercados, mas também cadeias como McDonalds, Ikea e até bares. Este é um quadro que aumenta a pressão sobre o governo sob pressão três meses antes do Natal. Na sexta-feira (10), o governo anunciou que o treinamento de caminhoneiros será acelerado, na tentativa de superar a carência que afeta a profissão.Outros setores da economia também são afetados, como hotéis e restaurantes e construção, que lutam para recrutar.O prefeito de Londres, Sadiq Khan, pediu nesta terça-feira (14) ao governo conservador que “mude sua política de imigração para atender às nossas necessidades econômicas e ajudar nossos negócios”.Ele pede a adoção de vistos especiais destinados a atrair trabalhadores internacionais para certas ocupações importantes. Entre a escassez de mão de obra e a retomada das atividades com o fim das restrições ligadas à pandemia do coronavírus, as ofertas de trabalho atingiram recordes.O Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês) disse hoje que “os números preliminares de agosto mostram que houve mais de 1,1 milhão de vagas em agosto, a primeira vez” em que isso acontece desde que estes dados começaram a ser coletados.