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Natal e Ano Novo. Família reunida, muita comida, abraços, beijos, espírito de compartilhamento e tudo o mais. Normalmente, o fim de ano é marcado por tradições e festividades que servem como um alívio de “ufa, tava demorando” depois de vários meses cheios de acontecimentos. O ano, no entanto, é 2020.  Estamos em uma pandemia, com casos que têm aumentado à medida que ver o desrespeito às normas sanitárias se torna algo frequente.

Sim, a vacina não é mais uma questão de “e se”, mas de “quando”. Ainda assim, ela não é garantia de que as festas e viagens de fim de ano aconteçam despreocupadamente. Em um mundo ideal, elas sequer aconteceriam, ficariam para quando fosse mais seguro fazê-las. Só que no mundo real a gente sabe que muita gente não vai abrir mão daquela ceia de  Natal com a família e, na semana seguinte, uma reunião com os amigos. Nesse sentido, é interessante falar de redução de danos, um termo que comumente é usada no universo das drogas. No contexto da pandemia, a lógica é mais ou menos a seguintes: se algum festejo de fim de ano não pode ser impedido, que ele pelo menos aconteça da forma o mais segura possível.

Abaixo seguem algumas dicas de como comemorar de uma maneira menos arriscada. Lembrando, não é um “tudo bem fazer  desde que tome cuidado”, é um “o ideal é evitar, mas se realmente não for possível , ao menos seja responsável”.

Comemorações com núcleos familiares reduzidos

“Família, família, papai, mamãe…”, melhor parar por aqui mesmo, né? Se a família for grande e costumar fazer uma megaconfraternização, uma boa é aproveitar o grupo de WhatsApp para convencer a galera a se reunir em grupos menores, de preferência só com os núcleos de pais de filhos. Se morarem  na mesma casa, melhor ainda.

Lugares abertos, distanciamento e nada muito longo

Quanto mais gente reunida, maiores os riscos e, portanto, os cuidados. Juntar mais de dez pessoas não é uma boa ideia – inclusive é até ilegal em alguns Estados, como São Paulo. Se for reunir gente, faça em ambientes abertos, como o lado de fora da casa ou em uma laje. Uma boa ventilação reduz de forma significativa o risco de contaminação. Se não tiver como evitar e a comemoração for acontecer em um ambiente interno: janelas abertas, máscaras enquanto não se come e, na hora da refeição, peça para as pessoas se espalharem, em vez de compartilhar a mesma mesa. Priorize uma coisa rápida, não mais do que 2 horas.

‘Cumprimentar com soquinho e de máscara’: exposição mínima a pessoas que você não ‘sabe por onde andou’

Pode parecer um pouco frio, mas o ideal é tratar aquele primo, tio, sobrinho que faz tempo que você não vê como qualquer pessoa que você encontra no trabalho ou no supermercado: cumprimentar com soquinho, de máscara etc. Também é indicado ficar próximo de pessoas que estão tomando os mesmos cuidados.

Combinação de medidas pré-encontro

Se você for organizar experiências com mais pessoas do que o normal, seja uma comemoração ou uma viagem,  o ideal é combinar certinho para que todo mundo tome determinados cuidados com antecedência. Isso vale principalmente para as viagens de férias. Por exemplo, se for rolar um fim de semana em uma casa de praia com uma galera, combine para que todos façam o teste RT-PCR pelo menos dez dias antes da viagem. Se negativo, quarentena. Se antes apresentar quaisquer sintomas da Covid – febre, dores no corpo, tosse seca, falta de olfato ou paladar – não viajar. Chegando ao destino, mantenha as medidas: fique próximo apenas do seu círculo, sempre atento aos sintomas. Se eles aparecerem, antecipe a volta.

No fim das conta, a recomendação para correr menos riscos é se expor o mínimo possível a eles. Medidas já conhecidas, como higienização constante das mãos e uso de máscara devem ser mantidas ainda com mais vigor. Seguindo essas precauções, dá para reduzir a possibilidade de contaminação e não contribuir para o agravamento da pandemia. A segunda onda veio e mostrou que não podemos fingir que está tudo bem. Não está. Lembrando: tratam-se apenas de medidas de mitigação.

Em um ano tão atípico em que tantas coisas precisaram ser desmarcadas, remarcadas e adaptadas, deixar as comemorações de fim de ano para depois da vacina e quando for mais seguro não parece uma coisa tão maluca assim. Ah, mas vai quebrar a tradição, vai ser triste, monótono. Talvez até seja, mas é a posição mais responsável a ser tomada.