Quirguistão e Tadjiquistão têm divergências pelo traçado das fronteiras | AFP

O Quirguistão anunciou nesta sexta-feira 13 mortes nos confrontos na fronteira com o Tadjiquistão, os mais graves nos últimos anos entre os dois países da Ásia Central que disputam vários territórios.

De acordo com Bishkek, 13 pessoas morreram e 120 ficaram feridas desde que as unidades militares dos dois países começaram a trocar tiros na quinta-feira.

Dois feridos estão em situação grave, segundo o ministério da Saúde.

Entre as vítimas fatais no Quirguistão está uma adolescente “nascida em 2008”, informou o governo.

Além disso, 11.500 habitantes de dois distritos da região de Batken foram obrigados a abandonar suas casas, informaram as autoridades desta área de fronteira com o Tadjiquistão, onde os combates foram mais intensos.

“Foram levados para locais especialmente preparados ou seguiram para as casas de parentes”, afirma um comunicado.

Na quinta-feira, o ministério quirguiz das Relações Exteriores anunciou que os chanceleres dos dois países estabeleceram uma “trégua completa” a partir das 20H00 (11H00 de Brasília) e o “retorno das tropas para suas posições anteriores”.

Traçado das fronteiras

Em um comunicado divulgado nesta sexta-feira, o governo do Tadjiquistão também destaca que as duas partes chegaram a “um acordo mútuo para acabar com o conflito armado e retirar soldados e equipamentos militares para os locais de presença permanente”.

Os confrontos de quinta-feira na fronteira entre os dois países pobres e montanhosos foram os violentos em muitos anos e provocaram o temor de um conflito maior.

Um representante da polícia na região quirguiz de Batken declarou à AFP por telefone que os tiros continuaram durante a noite, “mas não de maneira intensa”.

O Conselho de Segurança do Tadjiquistão informou sobre duas pessoas feridas a tiros. Mas a agência de notícias russa Ria Novosti, que citou uma fonte da cidade de fronteira de Isfara, informou que pelo menos três pessoas morreram e 31 ficaram feridas no lado tadjique.

Os países têm divergências pela demarcação de territórios durante a época da União Soviética, em particular no que diz respeito à divisão do fértil vale de Fergana, que também compartilham com o Uzbequistão. O traçado das fronteiras separou alguns grupos de seu país de origem.

Mais de um terço da fronteira Quirguistão-Tadjiquistão é alvo de disputa, especialmente a área ao redor do território tadjique de Vorukh, onde explodiram os confrontos de quinta-feira, e as rivalidades aumentaram pelo acesso à água.

As duas partes trocaram acusações pelos confrontos.

O Comitê de Segurança Nacional do Quirguistão afirmou que o país vizinho “provocou deliberadamente um conflito” e acusou o Tadjiquistão de ter “instalado posições para efetuar tiros mortais”.

O Conselho Nacional de Segurança do Tadjiquistão acusou o exército quirguiz de abrir fogo contra as tropas tadjiques “na área de abastecimento de água de Golovnaya, no rio Isfara”.

O presidente tadjique Emomali Rahmon se reuniu em julho de 2019 com o presidente quirguiz na época, Sooronbai Jeenbekov, e os dois protagonizaram um simbólico aperto de mãos em Isfara, no Tadjiquistão.

Mas as negociações sobre a “delimitação das fronteiras nacionais” e a “prevenção e resolução de conflitos fronteiriços” não apresentaram nenhum resultado.

AFP