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Produção industrial cai em julho e frustra previsões de analistas

A indústria começou o segundo semestre em queda, na contramão das expectativas do mercado. A produção do setor recuou 0,3% em julho, na comparação a junho, pela série com ajuste sazonal da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), divulgada nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O desempenho foi pior do que a mediana das estimativas de 22 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, de alta de 0,6%, com apenas uma casa — o Itaú — apostando em queda, justamente de 0,3%. São agora três meses seguidos de queda.

O resultado ocorre após a variação negativa de 0,7% do indicador em junho, frente ao mês anterior — este dado foi revisado, de queda de 0,6% anteriormente divulgada. Em maio, a indústria também havia recuado, em 0,1%.

Quando confrontada a julho do ano passado, a produção recuou 2,5%, após baixa 5,9% em junho por esse tipo de comparação. A expectativa mediana das instituições e consultorias ouvidas pelo Valor Data era de alta de 1,2% nessa comparação. Com o resultado, a produção industrial cai 1,7% no acumulado deste ano. Nos 12 meses encerrados em julho, o avanço acumulado é negativo em 1,3%.

Categorias e ramos A queda da indústria em julho foi pouco disseminada. Dos 26 ramos industriais acompanhados pela pesquisa, 11 tiveram baixa de produção na comparação a junho. Dos destaques positivos, considerando o peso das atividades dentro da pesquisa, a produção de outros produtos químicos (resina, adubos, fertilizantes, tintas) recuaram 2,6% em julho, ante junho.

Também recuou a produção de bebidas (-4%) e produtos alimentícios (-1%), segundo dados do IBGE. “Essas três atividades pesam um pouco mais de 20% no total da pesquisa da indústria” , disse André Macedo, gerente da pesquisa, acrescentando que dentro dos alimentos os destaques negativos foram itens intermediários na produção, como o caso do açúcar.

“Os produtos químicos também são intermediários.” Também pesaram na produção de julho a menor produção de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-3,3%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-2,6%), segundo os dados da pesquisa.

Dos ramos com comportamento positivo no mês estão as indústrias extrativas, com alta de 6%, terceira taxa positiva consecutiva, dentro do processo de retomada da produção após o rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG).

Também avançou a produção de máquinas e equipamentos (+6%) e farmoquímicos (-6,5%). O desempenho da produção foi negativo em duas das quatro grandes categorias de bens industriais. O destaque negativo foi a produção de bens intermediários, que recuou 0,5% de junho para julho. Essa categoria pesa mais da metade (55%) da indústria na pesquisa do IBGE.

Frente a julho de 2018, a categoria cai 5,4%. Bens intermediários são produtos manufaturados ou matérias-primas utilizadas na produção de outros bens, como metalurgia, têxteis e papel e celulose, por exemplo. Também em terreno negativo, os bens de capital tiveram queda de 0,3% na produção em julho, frente a junho. Quando comparado a julho de 2018, o avanço é de 6,6%, conforme os dados do IBGE.

Já a produção de bens de consumo duráveis cresceu 0,5% em julho, na comparação a junho, feitos os ajustes sazonais. Frente a julho do ano passado, a alta foi de 1%. O setor automobilístico sustentou esse desempenho: a produção de veículos automotores, reboques e carrocerias cresceu 1,5% na comparação a junho.

Segundo Macedo, além da produção de automóveis, o resultado de bens duráveis foi ajudado ainda pela produção de motocicletas e eletrodomésticos da linha branca. Macedo lembrou, porém, que o comportamento do setor automotivo pode ser instável em função da aumento de estoques na atividade.

“Com frequência, vemos um aumento da produção, formação de estoques, e redução da produção na sequência, disse. Na categoria de bens de consumo semiduráveis e os não duráveis, houve alta da produção em 1,4% na comparação a junho deste ano e alta de 1,7% frente a julho do ano passado, segundo a pesquisa do IBGE.

Fonte: Valor Econômico
Foto: Reprodução

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Thaynara Pinheiro

Designer de Moda, trabalha com produção de conteúdo, fotografia e tem um pé no design gráfico. Sempre disposta a ajudar e a fazer de tudo para os jobs saírem perfeitos. Responsável pela coordenação de conteúdos, marketing e criação de projetos do Portal Siará News e pela produção do programa Siará Digital.

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