Chicago (AFP) – Cerca de metade dos policiais de Chicago podem ser colocados em licença não remunerada, depois de se recusarem a informar se foram vacinados contra a Covid-19, enquanto a cidade americana enfrenta um aumento dos crimes com violência.O embate entre a prefeita de Chicago, Lori Lightfoot, e o chefe do sindicato policial, John Catanzara, tornou a cidade o foco mais recente de um debate polarizado sobre as vacinas e o direito dos governos de impô-las.Lori deu até a meia-noite desta sexta-feira para que todos os trabalhadores empregados pela terceira maior cidade dos Estados Unidos informem se foram imunizados ou testados para o novo coronavírus. Aqueles que se recusarem terão alguns dias para se explicar, mas podem ser colocados em licença não remunerada e, por fim, demitidos.”Não irei permanecer de braços cruzados enquanto a retórica dos teóricos da conspiração ameaça a saúde e a segurança dos residentes de Chicago e socorristas”, declarou a prefeita. Catanzara, no entanto, pediu aos 13 mil funcionários sindicalizados que se mantenham firmes.Com o aumento do número de assassinatos e tiroteios, o policial acredita que está em vantagem. “Posso garantir a vocês que a situação de não pagamento não irá durar mais do que 30 dias”, afirmou em vídeo aos membros do sindicato, especificando que a mesma afetaria metade ou mais dos oficiais de base.- Corpo a corpo -Catanzara pode estar certo, dizem funcionários de Chicago. A polêmica ocorre no momento em que a cidade volta a liderar o número de assassinatos no país, com 639 até 13 de outubro, 55% a mais do que há dois anos. Os tiroteios, por sua vez, cresceram 68% em relação a 2019, chegando a 2.866 este ano até 13 de outubro, de acordo com o Departamento de Polícia de Chicago.O vereador e ex-policial Anthony Napolitano, que apoia a posição do sindicato, disse que a força tem hoje cerca de 1.000 policiais a menos devido ao número recorde de aposentadorias e à falta de recrutas.”Os criminosos sabem dessas coisas, sabem o que está acontecendo”, advertiu esta semana ao “Chicago Sun-Times”. “Vai ser puro corpo a corpo.”A prefeita de Chicago assinalou que a lei estadual e o contrato sindical proíbem a polícia de Chicago de entrar em greve. Ela acusou Catanzara de “encorajar uma greve ilegal e uma paralisação que tem o potencial de minar a segurança pública e expor nossos residentes a danos irreparáveis, especialmente durante a pandemia em curso”. Catanzara não respondeu aos pedidos de entrevista.A Covid foi a principal causa de morte de policiais em 2020 e em 2021, segundo a Down Memorial Page, que registra os óbitos na categoria. A polícia foi um os primeiros grupos a ter acesso às vacinas.