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Nesta quarta-feira, 3, as forças de segurança abriram fogo contra manifestantes e mataram ao menos 18 pessoas, elevando a 40 o número de mortes em protestos. O fato ocorreu um dia depois de países vizinhos pedirem moderação e se oferecerem para ajudar Mianmar a sair da crise provocada pelo golpe de Estado.

Segundo relatos de testemunhas e da reprimida imprensa local, a polícia atirou sem avisos prévios e parecia estar determinada encerrar as manifestações contra a junta militar que tomou o poder em 1º de fevereiro.

“Eles marcharam em nossa direção e dispararam gás lacrimogêneo. Marcharam novamente e usaram granadas de atordoamento. Aí eles nos atingiram com canhões de água e, sem nenhum aviso para dispersar, apenas dispararam suas armas”, contou Si Thu Maung, um dos líderes dos protestos na cidade de Myingyan, à agência de notícias Reuters.

Um adolescente foi morto em Myingyan, mas o maior número de vítimas desta quarta foi registrado em Rangoon, a maior cidade do país, onde ao menos oito pessoas morreram em decorrência da repressão policial.

“É horrível, é um massacre. Nenhuma palavra pode descrever a situação e nossos sentimentos”, disse a ativista Thinzar Shunlei Yi.

Em Monywa, médicos e socorristas confirmaram a morte de mais seis pessoas. Segundo um levantamento da imprensa local, ao menos 30 ficaram feridos depois de terem sido alvos de disparos dos policiais na cidade. Outras mortes foram confirmadas em Mandalay e em Hpakant.

“O país é como a Praça Tiananmen na maioria de suas grandes cidades”, disse o arcebispo de Rangoon, Charles Maung Bo, em referência ao massacre de estudantes que protestavam em Pequim em 1989.