Montevidéu (AFP) – O caso de um preso que foi sequestrado e brutalmente abusado por companheiros de cela em Montevidéu gera “vergonha”, disse nesta segunda-feira (20) o ministro do Interior uruguaio, Luis Alberto Heber, em meio a uma polêmica sobre a situação carcerária no país.“Viemos para tomar conta dessa situação. É uma situação que dói (…) Temos vergonha de que possa acontecer um caso em nosso país”, disse o ministro em coletiva de imprensa.O caso ficou conhecido na semana passada por meio de denúncias jornalísticas posteriormente confirmadas pelo próprio Ministério do Interior.Em nota, o ministério informou que, na tarde de quinta-feira, um preso de 28 anos foi transferido para a enfermaria com quadro de desnutrição.“Pelas primeiras investigações soube-se que esta pessoa havia sido extorquida e maltratada por um ou mais companheiros de cela durante vários dias”, acrescentou.Segundo versões jornalísticas, o preso foi torturado, privado de comida e abusado sexualmente por pelo menos 40 dias.O ministério frisou que a situação da vítima é desconhecida “apesar de os polícias visitarem o módulo semanalmente, verificando o estado das celas”.Heber descreveu a situação como “altamente preocupante” e relatou que o diretor encarregado do módulo em que o preso foi encontrado foi demitido. Da mesma forma, a carteira ordenou uma investigação interna e apresentou queixa ao Ministério Público.Enquanto isso, o comissário parlamentar para as prisões, Juan Miguel Petit, declarou que o homem “estava em um estado de estresse pós-traumático semelhante ao de um náufrago ou de alguém que vive em condições extremas”.Petit, que há anos denuncia a violência e as condições insalubres do sistema penitenciário, garantiu que se trata de “um grave problema estrutural que o país tem, uma catastrófica falha estrutural” que transcende os diversos governos.Depois de uma visita a vários centros de detenção em 2018, o Subcomitê das Nações Unidas para a Prevenção da Tortura observou que as condições de vida em algumas prisões uruguaias são “deploráveis e anti-higiênicas”.