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Um relatório feito por pesquisadores cearenses mostra a relação entre as mortes decorridas da Violência & Criminalidade (V&C) e a perda da produtividade econômica entre os anos de 2019 e 2020, nos municípios da Região Metropolitana de Fortaleza. Os resultados, que consideram diferentes faixas etárias juvenis, mostram o valor estimado da produtividade que o indivíduo teria no mercado de trabalho caso não tivesse sido vítima da criminalidade no estado.

Segundo os dados, as perdas reais de produtividade pelas mortes prematuras na faixa etária juvenil de 15 a 29 anos foi de quase R$1.272,76 milhões em 2020, valor quase 1,68 vezes maior quando comparado com 2019, que apresentou quase R$ 756,43 milhões de perdas reais. Em termos de variação, entre 2019 e 2020 a RMF registrou um crescimento de aproximadamente 68,26% nessa faixa etária juvenil.

O levantamento é resultado do trabalho dos pesquisadores Débora Moreira Lima, Atual Presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB CE RMF, dos Analista de Políticas Públicas Marcelo Davi Santos e Renan Paiva Sampaio de AlmeidaPedro Rafael Lopes.

Para além dos números, Débora Lima fala de como os dados são o retrato de uma sociedade que está perdendo seus jovens para a criminalidade. “ Os prejuízos são incalculáveis! Famílias mutiladas pela perda, amedrontadas pelo medo, a insegurança e o trauma da violência que os cercam”, afirma. “Infelizmente essa realidade bate na porta, em sua maioria, de jovens da periferia, com baixa escolaridade, que acabam se envolvendo no crime, diminuindo assim sua expectativa de vida”, conclui.

Essa situação conclama as autoridades para debater políticas públicas mais eficientes, direcionada para esse público, e assim poder transformar essa realidade.”

– Débora Lima, Atual Presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB CE RMF

As informações apresentadas foram extraídas dos relatórios diários dos resumos das principais ocorrências atendidas pelas vinculadas da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS/CE) disponíveis no site da própria instituição, podendo assim, sofrer alterações de acordo com a fonte oficial.

Para a mensuração dos custos incorridos pela violenta ação dos criminosos, os pesquisadores utilizaram como base o artigo feito por Kahn (1999), Cerqueira et al (2007), Cerqueira e Moura (2019) e SAE/PR (2018). Ademais, não foi considerado o sexo das vítimas, apenas as faixas etárias juvenis e a expectativa de vida do estado em cada ano.

Mais sobre os pesquisadores

Débora Moreira Lima, Pesquisadora, Advogada criminalista e Atual Presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB CE RMF
Marcelo Davi Santos, Analista de Políticas Públicas, Mestre e Doutor em Economia pelo CAEN/UFC
Pedro Rafael Lopes Fernandes, Analista de Políticas Públicas, Mestre em Economia pelo CAEN/UFC
Renan Paiva Sampaio de Almeida, Analista de Políticas Públicas, Graduado em Economia pela Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP/SP).

Confira o relatório na íntegra aqui.