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O general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, afirmou que, apesar de parecer complexo, é simples entender por que o governo resistiu em comprar doses da vacina da Pfizer. Em depoimento à CPI da Covid, nesta quarta-feira (19) ele disse que a proposta do laboratório “chegou com cinco cláusulas assustadoras naquele momento”.

“A Pfizer é um assunto que nos coloca diante de uma coisa que parece complexa, mas é simples de entender. Estamos falando de uma vacina cuja tecnologia não era conhecida no Brasil e que não compartilhava a tecnologia conosco. Era isso ou aquilo, não tinha transferência de tecnologia”, disse.

“Estamos falando de pagamento adiantado, assinatura do presidente da República no contrato e a isenção de multas em caso de entrega. Na primeira vez em que ouvi isso, achei muito estranho”, disse.

O ex-ministro também destacou o preço da dose da vacina. “A Pfizer trouxe a dose ao custo de US$ 10 e nós estávamos negociando [outras vacinas] a US$ 3.”

Ele também apontou que o país deveria viabilizar a questão logística, já que a vacina da Pfizer precisava de um resfriamento a baixas temperaturas. “Essas discussões demoraram e isso nos consumiu setembro e outubro”, disse.

O ex-ministro também afirmou que os órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU), recomendaram que o contrato não fosse assinado, mas que a pasta assinou mesmo assim.

“O memorando de intenções da Pfizer foi assinado contra orientações da assessoria jurídica de controle interno [ministério] e externo”, disse.