Cidade do Vaticano (AFP) – O papa Francisco confirmou que viajará em dezembro para a Grécia e Chipre, além de sua viagem na Oceania em 2022, e pediu para combater as “assimetrias” para poder sair da pandemia, em uma entrevista à agência argentina de notícias Télam.”No primeiro fim de semana de dezembro vou para a Grécia e Chipre”, anunciou Francisco, que espera que a viagem inclua uma visita à ilha grega de Lesbos, símbolo dos refugiados.Durante a entrevista com o correspondente da Télam, Hernán Reyes, à qual a AFP teve acesso nesta sexta-feira (22), o papa argentino, que completará 85 anos em dezembro, revelou que em 2022 planeja viajar também para África e Europa, além de realizar a primeira visita como pontífice na Oceania.”No momento, tenho na cabeça duas viagens que ainda não fiz, para o Congo e a Hungria”, acrescentou.O papa viajante, que em 2020 teve que suspender as visitas devido à pandemia de coronavírus, não falou com seu compatriota sobre eventuais viagens à América Latina, particularmente à sua natal Argentina, país que não está na sua lista.Durante a entrevista, realizada na Casa Santa Marta – a residência dos padres dentro do Vaticano, onde ele mora – o pontífice falou também da cúpula dos líderes das maiores economias do mundo, o G20, que será celebrada no final de outubro em Roma.”A cúpula do G20 em Roma deve considerar seriamente a relação entre os países subdesenvolvidos e os desenvolvidos”, pediu o pontífice.”Isso é fundamental. O final da pandemia tem que ser de forma criativa. Ninguém sai igual de uma crise, você sai melhor ou pior. E esse final da pandemia tem que ser para o melhor. Caso contrário, vamos regredir”, alertou.”Não é possível sair desta crise em que estamos sem evoluir para as periferias”, acrescentou.”A pandemia é um desafio para a mudança, é uma crise que nos leva a mudar. Se não, saímos pior, mesmo que não percebamos”, lamentou.”A abertura do pós-pandemia deve acontecer principalmente evidenciando as assimetrias no acesso à saúde” e os países devem considerar “o que fazer com essas assimetrias”, destacou.A propósito da mudança climática, tema atual devido à cúpula crucial sobre o clima COP26 que acontecerá em Glasgow, Escócia, de 1 a 12 de novembro, o papa reiterou seu lema: que “passem das palavras para a prática”.”É hora de começarmos a fazer coisas e que os resultados sejam vistos”, disse.Porque “a fraternidade universal não é um tango, é uma realidade”, resumiu com sua linguagem habitual.