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O amor de um pai que superou os limites da paralisia cerebral

Suderio transformou as dificuldades do filho com paralisia cerebral em histórias de inspiração; ele já escreveu 2 livros.

Nos dias atuais, os homens sonham em formar uma família primeiro que as mulheres. É o que diz uma pesquisa americana feita para o site de relacionamento Match.com, que contou com a colaboração de 5.199 pessoas, dentre homens e mulheres de 21 à 34 anos, sendo todos solteiros. Adrienne Burgess, do grupo de pesquisa Instituto Paternidade, do Reino Unido, diz que os homens sempre quiseram filhos, mas, no passado, esperavam até se sentirem prontos financeiramente, o que hoje é um problema menor, já que dividem a responsabilidade com as parceiras.

O tempo passa e o velho ditado popular “Pai qualquer um pode ser” continua sendo muito usado pela boca do povo. Porém, Suderio Magalhães Filho (40), não pensa como a maioria das pessoas. Ele sempre sonhou em ser pai; queria ter a oportunidade de ensinar para o seu filho tudo o que seu pai lhe ensinou e realizar junto dele, os sonhos que têm. Até que um dia a tão sonhada notícia chegou. Sua esposa, Lígia Cacau Costa Magalhães (42), estava grávida.

As pernas ficaram trêmulas, as mãos frias e na mesma hora veio os pensamentos egoístas, como todos os pais.

Agora, os sonhos já não eram só dele, ou para ele. A família iria aumentar e Sudério começou a pensar como a maioria dos pais. “Se for mulher vai ser médica, modelo, ou advogada e se for homem vai se jogador de futebol, engenheiro, ou médico”. Aos quatro meses de gestação, sua esposa recebeu o resultado do sexo do bebê; era um menino. Segundo ele, mesmo com toda euforia de ter um menino, ele não estava totalmente preparado como achava que estaria.

Sudério Cacau Costa Magalhães, hoje com 10 anos, nasceu com 30 semanas de gestação. Mas a alegria do seu nascimento foi interrompida após o recém-nascido ser diagnóstico com paralisia cerebral, uma síndrome (não é uma doença específica) que envolve sintomas que engloba dificuldade de movimentação e rigidez muscular. Suderinho (como os pais o chamam), passou 61 dias internado, sendo 48 deles entubado, onde teve diversas intercorrências, uma delas foi a meningite.

Desde o começo sabíamos da sua condição. Eu deixava para chorar a noite quando iria dormir porque ao acordar, seria para arregaçar as mangas e lutar por uma melhor qualidade de vida melhor para o nosso guerreiro.

Desde o dia em que o pequeno saiu do hospital, o pai aprendeu a dar-lhe banho e faz essa tarefa até hoje. Para ele, é um momento de cumplicidade dos dois, já que não pôde amamentá-lo. Apesar das dificuldades com a comunicação do filho, que não fala ainda, o pai diz que consegue compreender tudo em seu olhar.

Sudério e a esposa desde o início combinaram em matricular o menino em escola regular, além de fazer fisioterapia, terapia ocupacional e acompanhamento com fonoaudióloga. Apesar da rotina agitada, o jovem ainda pratica capoeira e participa de corridinhas kids.

Sempre procuramos incluí-lo de todas as formas possíveis. Tenho um enorme orgulho de ser pai desse cara, em vez de ensiná-lo algo todos os dias, é ele que me ensina, através do sorriso e da alegria que ele tem de viver.

Hoje, o jovem Sudério se tornou o irmão mais velho, o que contribuiu muito para que seu desenvolvimento melhorasse. A irmã Cecília, desde cedo entendeu suas dificuldades e tenta sempre protegê-lo. “Ele se sente o reizinho da casa”.

O Suderinho está no 3°ano da escola e já teve sua vida contada em dois livros chamados: “Sorrindo para a Vida”. Os livros foram escritos pelo pai (Sudério), onde ele conta a trajetória de dificuldades do filho, e suas experiências e alegrias. Há também histórias de outras crianças e pais que superaram a paralisia cerebral atravéz do cuidado, paciência, amor e fé. O trabalho realizado é uma forma de expressar gratidão pelo filho, que acima de tudo, lhe ensinou a ser um ser uma pessoa melhor.

A palavra PAI pode ser nomeada a qualquer um, mas o sentimento de proteção, de querer educar e amar, não é função simples. O orgulho de ser PAI vai muito além do significado dessa palavra tão simples. Não é qualquer pessoa que consegue assumir esse “cargo” e por isso há um outro ditado popular “PAI é aquele que ama e cuida.”

 

Primeiro livro “Sorrindo para a Vida” escrito pelo Pai, onde conta suas histórias de superação. Foto: Arquivo Pessoal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Segundo livro “Sorrindo para a Vida” escrito pelo Pai, onde conta suas histórias de superação. Foto: Arquivo Pessoal
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