“Os elementos da música nordestina e afro-brasileira, tais quais o baião, o maracatu e o ijexá são presentes ao longo de todo o [nosso] trabalho.” São com essas referências que, em 2015, nasceu a Forria, a partir da saudade de fazerem um som juntos.

Quando o guitarrista Samuel Torquato e o tecladista Eros Augustus mergulharam no som feito no nordeste dos anos 70, transitando por referências como Fagner, Hermeto Pascoal, Elomar, Vital Farias, Caetano Veloso e Geraldo Azevedo, outros amigos foram chegando e trazendo sonoridade para as primeiras canções autorais da banda.

Com o primeiro álbum, lançado em março de 2018, a Forria conta com oito integrantes. Músicos e envolvidos em diferentes áreas como engenharia, antropologia, design, ciências contábeis e produção cultural, além de Eros e Samuel, a banda traz o vocal de Leonardo Rio, o violino de Paula Bessa, o baixo de Mateus Torquato, a bateria de Lucas Rangel e a percussão de Seu Divino e Tiago Campos.

O grupo traz músicas que falam da realidade nordestina em seus afetos, formas, gestos e linguagem, produzindo um campo de imagens sonoras que costura o popular e o contemporâneo. Com letras consideradas como poesia, a Forria traz ainda um tom sensível e marcado pela relação ambígua entre a delicadeza e a agressividade que envolve o nosso cotidiano, dando destaque para “Preto Dos Teus Olhos”, “Desenredo” e “Da Noite Pro Dia”, que já vêm ganhando coro do público por onde se apresentam.

Passando por alguns festivais, centros culturais e casas de show em Fortaleza, a Forria já conquistou, em 2017, o prêmio de melhor banda no 16º NOIA Festival do Audiovisual Universitário. Para planos futuros pretendem circular em turnê pelo interior do Ceará e outros estados do Nordeste como Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba.

A banda nos concedeu uma entrevista sobre sua história e referências. Confira:

Qual é a história da  Forria?

A concepção da Forria surgiu quando o Samuel e o Eros estavam imersos no som feito no Nordeste por volta dos anos 70. O disco Orós do Fagner, com os arranjos do Hermeto Pascoal, os álbuns Cantorias 1 e 2 (Xangai, Elomar, Vital Farias, Geraldo Azevedo), o Transa do Caetano Veloso, dentre outros, provocaram a vontade de voltar a tocar juntos, o que não faziam desde uma finada banda de blues rock da qual ambos participavam. Um verso da música O Violeiro, do Elomar Figueira de Melo inspirou o nome da banda, que viria futuramente a dialogar muito bem com as composições. Desde a sua criação, em 2015, a Forria já participou de diversos eventos importantes e esteve presente em lugares icônicos da cidade.

O trabalho de produção aliado à boa repercussão dos shows, além da recepção do público, tem aberto diversas portas para o grupo. A contribuição às causas artísticas e populares da cidade é uma das tônicas do trabalho da banda, bem como a produção de shows independentes juntamente a outras bandas, também autorais, para fortalecer a veia colaborativa na rede de artistas de Fortaleza.

Foi em julho de 2015 que a banda fez sua estreia nos palcos em apresentação com Vento Marea e Juruviara dentro de um evento colaborativo chamado Tutta Birra, o qual foi muito bem recebido pela mídia e pela cidade. A partir disso, nos apresentamos em casas de shows e em festivais como os Encontros Universitários UFC e o IV Festival Cuca Independente.

 

Já em 2016, a Forria tocou em eventos organizados pela própria banda, como o Forria no Curral das Éguas (produzido com a finalidade de arrecadar recursos para a realização do primeiro álbum da banda), com participação do DJ Nego Célio, no Grito Rock Sabiaguaba (em conjunto com Capotes Pretos na Terra Marfim e Tripulantes da Sabiabarca) e no Maloca Dragão. Com tal visibilidade, a banda foi convidada para tocar em outros eventos como o Festival Popular de Teatro de Fortaleza e na festa de encerramento do Fórum Nordestino de Bicicleta, ambos em novembro do mesmo ano. Uma curiosidade é que neste mesmo ano colaboramos com a Ocupação dos Estudantes na Escola João Matos, no Montese, em uma roda de conversa sobre composição, onde tocamos e compusemos música com os secundaristas. Foi uma das experiências mais marcantes do grupo.

Em 2017, a Forria foi uma das bandas selecionadas para tocar na categoria Novo Som da Temporada de Artes Cearense – Dragão do Mar com o projeto “A Roda do Vestido Girando no Ar”, apresentando-se no Palco Rogaciano Leite e no Centro Cultural Bom Jardim. Em novembro do mesmo ano fez o show de abertura para o novo projeto da natalense Tiquinha Rodrigues (Rosa de Pedra), no Mambembe, recebendo o convite da artista para tocar no ano de 2018 em Natal-RN. Em dezembro, a banda lançou o single Depois do Mormaço nas principais plataformas digitais e fez um show de lançamento dentro da programação do Corredor Cultural do Benfica, no espaço Fazendo o Corre produzido pelo artista e produtor Berg Menezes. Logo após o lançamento da música, o radialista e DJ Guga de Castro entrou em contato com a banda solicitando o envio da música lançada para que fosse tocada na rádio Beach Park​.

Em fase ascendente, após apresentação e premiação em festivais e lançamento do primeiro álbum, a Forria busca consolidar-se no circuito cearense e nordestino, tendo pretensões de projeção nacional. A primeira música de trabalho (Depois do Mormaço) já está sendo divulgada nas plataformas digitais e em programas de rádio locais.

Além da música nordestina dos anos 70, quais outras referências da Forria?

Os elementos da música nordestina e afrobrasileira, tais quais o baião, o maracatu e o ijexá são presentes ao longo de todo o trabalho. Entretanto, a banda procura absorver sonoridades da música de uma maneira mais universal, como o blues e o rock, por exemplo, sem se prender em fórmulas rígidas. A música de Belchior, Fela Kuti, Cátia de França, Nação Zumbi, Chico César, Ednardo e Milton Nascimento são influências nas composições e arranjos. Alguns álbuns como o 20 Palavras ao Redor do Sol, da Cátia de França, e o Manera Fru Fru, do Fagner, foram especialmente importantes para a realização do nosso primeiro trabalho.

Falem um pouco sobre o álbum.

O álbum de estreia Forria possui 9 (nove) faixas. A base rítmica do trabalho consiste principalmente na música nordestina e afrobrasileira. Ao mesmo tempo, o álbum não se restringe a estes elementos, trazendo um instrumental que dialoga com elementos de estilos musicais do mundo todo, afinal, a banda tem 8 membros, o que traz uma riqueza e bagagem muito forte de influências.

As letras do álbum carregam uma poesia forte, o conflito das personagens com o meio em que vivem são narrados e utilizados como metáforas para as diversas reflexões presente na música, que contemplam desde reflexões pessoais às tensões políticas da metrópole e do interior, culminando em mensagem de esperança e desejo de liberdade, o significado da palavra Forria.

É possível encontrar o som da Forria em várias plataformas online, como Youtube, Spotify, Deezer, iTunes e Google Play. Você também pode acompanhar no Instagram @bandaforria.

Fotos: Divulgação