Hong Kong (AFP) – Os mercados asiáticos registraram quedas expressivas nesta segunda-feira (20) com os temores de uma potencial falência da gigante do setor imobiliário chinês Evergrande, mas também pelos planos do Fed (Banco Central americano), o aumento de contágios de covid-19 e sinais de fragilidade na recuperação mundial.A Bolsa de Hong Kong encabeçou mais uma vez as quedas provocadas pela Evergrande. A empresa deve pagar esta semana juros por seus empréstimos e títulos, mas os analistas temem que não conseguirá efetuar a operação. A empresa, uma das maiores incorporadoras imobiliárias da China e do mundo, admitiu que pode enfrentar problemas para pagar as dívidas e obrigações, que superam 300 bilhões de dólares.Hong Kong registrou queda de 3,3%. A ação da Evergrande chegou a cair quase 19% durante a sessão, mas encerrou o dia em baixa de 10%. A New World Development perdeu 12,3% e a Henderson Land recuou 13,2%. O índice de propriedades Hang Seng caiu mais de 6%, o pior resultado desde maio de 2020.O analista Philip Tse, da BOCOM International Holdings, advertiu que mais quedas serão registradas caso os governantes não enviem um sinal claro sobre a Evergrande ou flexibilizem as restrições para o setor imobiliário.Apesar da crise, o governo chinês ainda não atuou para evitar o colapso da Evergrande.Os analistas consideram que, embora as autoridades procurem conter a tomada excessiva de riscos, eles provavelmente trabalharão para evitar que o problema se torne incontrolável. Os demais mercados asiáticos também foram afetados pela situação, com quedas em Sydney, Singapura, Wellington, Mumbai, Manila, Bangcoc e Jacarta. As Bolsas de Tóquio, Xangai, Seul e Taipé não abriram nesta segunda-feira por feriados locais.Fundada nos anos 1990, a Evergrande cresceu de forma exponencial durante o boom imobiliário chinês, em parte graças ao acúmulo de uma dívida considerável.Sua situação foi agravada pelas restrições impostas por Pequim para desalavancar o setor que, por exemplo, proíbem a venda de propriedades antes da conclusão das obras, prática na qual se baseava o negócio da Evergrande.