Médico denuncia Hapvida - Foto: Reprodução

O médico Felipe Peixoto Nobre deu entrevista ao jornal O Globo, nesta segunda-feira (2), e relatou como ocorria, o que ele classifica de assédio por parte da Hapvida para ele e outros colegas que, segundo o mesmo para cumprirem metas de prescrição de “kit covid”, composto por remédios sem comprovação científica contra o coronavírus.

O jornal O Globo revelou mensagens, áudio e relatos que mostram as intimidações através das orientações diretas que os profissionais recebiam, para “fazer o convencimento” de pacientes para o uso da cloroquina.

“Éramos vistos como inimigos e marcados com uma bandeira vermelha. Recebi quatro visitas no ambulatório do médico-líder em menos de um mês. Me disseram que eu corria o risco de ser desligado do plano, caso eu não prescrevesse o “kit covid”. A chefia sabia exatamente quem prescrevia ou não, porque estavam fazendo auditoria nos prontuários, um absurdo total”, disse Felipe Nobre.

Nobre afirma ainda que “não interessava se o paciente sabia ou não dos riscos, a orientação era: tem que passar e não cabe discussão. Eu saí em maio de 2020, mas soube por colegas que eles continuaram fazendo isso até março deste ano”.

O médico relata também que a Hapvida se recusava a fazer testes de Covid-19 em pacientes suspeitos e que a falta de triagem inicial acabou “gerando ainda mais a contaminação do ambiente”.

HAPVIDA

A Hapvida disse em nota que a fase inicial da pandemia foi marcada por “incertezas”. “No passado, havia um entendimento que a hidroxicloroquina poderia trazer benefícios aos pacientes. No melhor intuito de oferecer todas as possibilidades aos nossos usuários, houve uma adesão relevante da nossa rede, que nunca correspondeu à maioria das prescrições”.

Sobre a pressão exercida sobre os médicos para que recitassem o “kit covid” para os pacientes, a empresa afirmou que a prescrição da cloroquina ocorria “sempre durante consulta, de comum acordo entre médico e paciente”, e que “respeita a autonomia e a soberania médica”. A operadora também declarou que a adoção do medicamento foi “sendo reduzida de forma constante e acentuada”, e que a prática teria deixado de ocorrer “há meses”.

CPI da Pandemia

Neste sábado, o vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) publicou no Twitter que o “Hapvida é mais um caso que a CPI terá que investigar”.