A polícia russa detém um homem durante uma manifestação em apoio ao opositor russo Alexei Navalny em 31 de janeiro de 2021 em Moscou | Foto: AFP

Mais de 10.000 pessoas foram detidas na Rússia desde o início, em 23 de janeiro, das manifestações para exigir a libertação do opositor russo Alexei Navalny, informou nesta quarta-feira (3) a ONG OVD-Info.

A presidência russa considerou nesta quarta a repressão às manifestações da oposição como “justificada”, porque representam uma ameaça à segurança.

“Os apelos a ações não autorizadas constituem uma provocação (…) A polícia reagiu de forma determinada pelas ameaças que poderiam ter surgido”, estimou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, dizendo-se satisfeito com a “ação firme” das forças de ordem.

A organização OVD-Info, especializada em monitorar as manifestações, também denunciou o tratamento degradante a que são submetidos os detidos.

Muitos manifestantes foram amontoados em ônibus “em condições terríveis e sufocantes, sem comida e sem poder ir ao banheiro por horas”, declarou Grigori Durnovo, responsável por esta ONG, à rádio Echo Moscou.

Além disso, é “muito difícil para advogados e juristas o acesso às delegacias. Não os deixam entrar, é algo sistemático”, acrescentou Durnovo.

Desde as primeiras manifestações pró-Navalny, em 23 de janeiro, seis dias após sua prisão, mais de 10.000 pessoas foram detidas na Rússia, de acordo com OVD-Info.

Em 23 de janeiro foram 4.000 detidos, em 31 de janeiro 5.700 e na terça-feira, 2 de fevereiro, após a sentença de Navalny a uma pena de prisão em regime fechado, 1.400, segundo esta fonte.

Numerosos testemunhos sobre as condições de detenção circulam nas redes sociais.

“Mais de 40 horas se passaram desde nossa prisão. Praticamente não fomos alimentados, estamos em um ônibus, forçados a ficar de pé”, declarou um detido em um vídeo postado no Instagram e transmitido na terça-feira pelo canal de televisão Dojd.

“Não podemos nos mexer, não temos água, não nos levam ao banheiro”, acrescentou, assegurando que dezenas de outros veículos da polícia estão cheios de manifestantes.

Com o objetivo de dissuadir os manifestantes, as autoridades russas alertaram que verificariam se os detidos cumpriram o serviço militar obrigatório.

Neste sentido, o chefe do Comitê de Investigação, Alexandre Bastrykine, disse na terça-feira que serão feitas verificações para garantir que os homens presos tenham de fato cumprido o serviço militar.

Muitos países do mundo condenaram a prisão e condenação de Alexei Navalny, bem como a repressão às manifestações, dando origem a novas tensões entre a Rússia e as potências ocidentais.

Moscou rejeita críticas e denuncia a interferência estrangeira em seus assuntos internos.

Fonte: AFP