Caracas (AFP) – O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, defendeu nesta quarta-feira (20) a “normalização” das relações comerciais e diplomáticas com a Colômbia, rompidas desde 2019, quando o governo de seu contraparte colombiano, Iván Duque, não o reconheceu como mandatário.”Colômbia e Venezuela têm que resolver os problemas em paz. Temos que regularizar, normalizar as relações comerciais, produtivas, econômicas, temos que normalizar as relações consulares, as relações diplomáticas”, afirmou Maduro em discurso transmitido pela TV oficial. O presidente chavista saudou uma proposta aprovada no Senado da Colômbia, na terça-feira, para criar uma comissão parlamentar binacional que trabalhe na normalização das relações comerciais e diplomáticas, além da verificação das boas práticas comerciais entre os dois países. “Nós aplaudimos esta iniciativa tomada pelo poder legislativo da Colômbia e o poder legislativo da Venezuela”, comemorou Maduro, reivindicando que os colombianos na Venezuela “não têm assistência consular porque o governo de Iván Duque não lhes dá assistência consular”. Situação similar enfrentam quase dois milhões de venezuelanos que migraram para a Colômbia nos últimos anos, fugindo da grave deterioração da economia em seu país. As tensões entre a Colômbia e a Venezuela, que Maduro herdou de seu mentor, Hugo Chávez, se aprofundaram ao ponto de, em 2015, ele mandar fechar a fronteira após denunciar uma “emboscada” a militares venezuelanos, interrompendo o fluxo comercial entre os dois países, que compartilham uma extensa fronteira terrestre de cerca de 2.200 quilômetros. Em 4 de outubro passado, a Venezuela anunciou a “abertura comercial” de sua fronteira com a Colômbia no estado de Táchira (oeste), embora ainda esteja fechada, segundo constatou uma jornalista da AFP. Esta passagem binacional, a mais importante do país, foi fechada em fevereiro de 2019, após uma frustrada tentativa de entrada de ajuda humanitária liderada pelo líder opositor Juan Guaidó, a quem o governo Duque reconhece como presidente encarregado da Venezuela, junto a outra meia centena de países, inclusive os Estados Unidos. Embora desde agosto de 2015 só se permita a passagem de pedestres, em 2019 o bloqueio se aprofundou com a colocação de contêineres em pontes fronteiriças. Nesta oportunidade, Maduro considerou o fato como uma tentativa de “invasão” estrangeira, rompeu relações diplomáticas com Bogotá por seu reconhecimento a Guaidó e interrompeu, inclusive, a passagem de pedestres. Em meio ao que chamou de uma “virada de página”, Maduro convidou os empresários colombianos a “retomar” os investimentos em seu país, mergulhado na pior crise de sua história recente, com hiperinflação e sete anos consecutivos de recessão.