Santiago (AFP) – O Tribunal de Apelações de Copiapó, centro-norte do Chile, suspendeu nesta sexta-feira (14) uma licitação estatal de lítio publicada na quarta-feira passada e que gerou polêmica por ser realizada a dois meses do fim do governo do conservador Sebastián Piñera.”Tendo em conta que o ato impugnado está em plena execução, fica acordado não inovar, paralisando o processo de licitação e adjudicação do lítio, enquanto este recurso é resolvido”, declarou o tribunal em sua resolução, à qual a AFP teve acesso.As empresas BYD Chile SpA (com capital chinês) e Servicios y Operaciones Mineras del Norte (chilena) obtiveram os contratos de extração de duas cotas de 80.000 toneladas de lítio metálico por 20 anos.Em comunicado, o Ministério de Mineração salientou que a licitação não foi objeto de “cancelamento definitivo” e que o processo foi “aberto, informado, transparente e cumpriu toda a legislação em vigor”. O governo também afirmou que responderá à decisão do tribunal nos prazos previstos em lei.O presidente eleito, o esquerdista Gabriel Boric, que toma posse em 11 de março, pediu para interromper o processo na quarta-feira. “Foi uma atribuição exclusiva do governo chileno em exercício e nos parece que (a licitação) é uma má notícia, e me lembra aquelas leis que eram feitas de última hora quando um governo está prestes a deixar suas funções”, apontou.Para o ministro da Energia, Juan Carlos Jobet, trata-se de “uma boa notícia para o nosso país, porque nos permite arrecadar fundos, mais de 120 milhões de dólares”.A Corte acolheu um recurso de proteção interposto pelo governador de Copiapó, Miguel Vargas, juntamente com um grupo de comunidades indígenas aimarás e diaguitas que habitam uma salina no deserto do Atacama.Embora a licitação do governo não estipule o local de extração do lítio, as salinas do norte do Chile são os locais onde se encontram os principais depósitos desse mineral.Esse recurso foi apresentado paralelamente a outro redigido pela oposição de centro-esquerda perante a Controladoria para, por meio dessa via administrativa, determinar a legalidade do processo licitatório.De acordo com o Ministério de Mineração, o processo busca recuperar a posição do Chile no mercado mundial de lítio. Até 2016, o país era o maior produtor mundial, com 37% do mercado, mas hoje ocupa o segundo lugar atrás da Austrália, com 32%.Se o país não aumentar sua produção, até 2030 sua participação cairá para 17%, segundo dados oficiais.