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João Gilberto, o canto manso e o violão que revolucionaram a música brasileira

O cantor e compositor baiano nos deixa com saudade e um legado imortal. Saiba sobre o criador do ritmo da Bossa Nova.



João Gilberto, o criador da batida que deu ritmo à Bossa Nova, partiu da Terra e levou seu canto manso para entre as estrelas do universo. O cantor, violonista e compositor baiano faleceu aos 88 anos no sábado, dia 06 de julho. Apesar de está longe dos palcos há mais de uma década, a partida do artista marca na história da música brasileira uma das mais dolorosas despedidas.

Não estamos falando apenas da morte de um músico, é o ponto final na história do homem que revolucionou a música brasileira. Estamos sim, falando do criador de uma maneira de cantar e tocar violão que  influenciou gerações e abriu caminhos para a internacionalização da MPB entre o final dos anos 1950 e a década de 1960.

João, o coração de um desafinado

Quase todo mundo sabe que João Gilberto nasceu em Juazeiro, interior da Bahia. O que poucos sabem é sobre João Gilberto do Prado Pereira de Oliveira nascido em 10 de junho de 1931. Ainda, como esse menino cresceu e chegou a ser protagonista da música brasileira por mais de meio século.

O primeiro violão chegou quando tinha 14 anos. Viver em um ambiente musical nunca foi problema para João, pois cresceu em uma família de músicos amadores e ouvindo Duke Ellington, Tommy Dorsey, Dorival Caymmi e Dalva de Oliveira. Aos 18 anos mudou-se para Salvador e iniciou sua carreira artística na Rádio Sociedade da Bahia.

Anos depois decidiu morar no Rio de Janeiro, após ser convidado para fazer parte do grupo Garotos da Lua.  Ainda antes de criar a batida característica da bossa nova, gravou alguns singles mas não conseguiu sucesso.

Foi somente em  1959, com o lançamento do disco solo Chega de Saudade, que o seu trabalho tornou-se conhecido. Seu disco de estreia é o marco inicial da Bossa Nova. João Gilberto lançou um novo estilo de acompanhamento ao violão, com elementos rítmicos do samba e influências harmônicas do jazz norte-americano.

Foto: Reprodução | Capa do disco Chega de Saudade, que deu inicio à Bossa Nova.

 

Chega de Saudade e a Bossa Nova

De volta ao Rio, ainda desconhecido, João Gilberto começou a se aproximar de nomes importantes da cena musical carioca, como Roberto Menescal, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, estes dois compositores da música que consagraria João, Chega de Saudade.

Foi com Tom que João conseguiu espaço na gravadora Odeon para lançar o seu primeiro álbum solo. O compacto desse disco, lançado em 1958, continha as famosas canções Bim-bom de um lado e, do outro, Chega de Saudade.

O repertório do disco Chega de Saudade (1959) contou com clássicos de Tom Jobim, como a canção título do álbum; duas parcerias com Vinicius de Moraes em Brigas e Nunca Mais. Contou ainda, com a parceria de Newton Mendonça e a aclamada música Desafinado.

João Gilberto deu o seu canto manso também para canções de Carlos Lyra em Lobo Bobo e Saudade Fez um Samba, de Ary Barroso com Morena Boca de Ouro e de Dorival Caymmi, na canção Rosa Morena.

Desde o lançamento do disco que foi um divisor de águas na música brasileira, João compôs um legado de 13 álbuns de estúdio e quatro ao vivo. Dentre eles, destaca-se o LP ‘Getz/Gilberto’, lançado em 1964, até hoje o álbum de jazz mais vendido da história.

Uma das características que marcou João Gilberto foi a sua personalidade. Além de ser considerado um gênio, o músico também era conhecido por um temperamento polêmico e comportamento excêntrico.  Era frequente em seus shows, o baiano dar broncas na plateia, reclamar sobre o som e abandonar o palco.

Tais características, por mais que tenham contribuído para o afastamento de João dos palcos, não retira dele o título de ser uma referência na história da música brasileira. O baiano de canto arrastado ou dito por alguns como um desafinado,  ficou em nossa memória coletiva com o desejo da imortalidade de suas canções.

Foto: Reprodução/Adenor Gondim

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Wilma Farias

Produtora e apresentadora do programa Prosa Cultural. Mestra em artes, artista-bordadeira e produtora cultural.

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