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Isolamento vertical: entenda o que é esse termo

Isolamento vertical, muito tem se escutado esse termo em meio a essa pandemia na qual estamos vivendo. Principalmente, após o o presidente da república Jair Bolsonaro (sem partido) falar sobre essa medida em seu pronunciamento, em rede nacional, e pedir o fim da quarentena.

No momento atual que não só o Brasil, mas todos os países estão vivendo uma pandemia, por um vírus desconhecido que vem infectando e causando mortes em todas as partes do mundo, o novo coronavírus, nomeado como Covid-19, a economia está queda.

Com os estados aderindo a quarentena, consequentemente, a economia sofreu um colapso e o presidente defende o isolamento vertical.

Mas o que significa isso?

O isolamento vertical defende que somente o grupo de risco, idosos e portadores de comorbidades (ocorrência de duas ou mais doenças ao mesmo tempo), deve permanecer confinado. Ou seja, a população mais mais jovem volta para o mercado, assim mantendo a economia ativa e as pessoas que estão no grupo de riso, permanecem em quarentena.

Mas essa medida não é só no Brasil. Nos últimos dias, a ideia de que o impacto na economia poderia ser mais grave para o país do que o coronavírus ganhou força entre conservadores nos Estados Unidos. A administração do presidente Donald Trump, inclusive, também estuda abrir setores da economia, isolar populações vulneráveis e permitir que os jovens trabalhem, o presidente norte-americano estuda essa possibilidade após esse mês de março (2020).

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Essa ideia surgiu, através de um artigo publicado no jornal The New York Times, o médico americano David Katz, diretor do Centro de Pesquisa em Prevenção Yale-Griffin e um dos formuladores do método, explicou como funciona o isolamento vertical por meio de uma analogia com um “confronto aberto bélico”.

O ataque cirúrgico seria isolar o grupo de risco e concentrar nele os recursos de saúde para tratamento e prevenção. O restante da população ficaria desprotegida dos efeitos do vírus, que, em geral, provocam infecções leves.

Segundo seu raciocínio, dessa forma, a sociedade desenvolveria a chamada “imunidade de rebanho”: cada vez mais pessoas teriam anticorpos para derrotar o vírus antes mesmo que ele se instalasse e pudesse se reproduzir e se espalhar, resultando o fim da pandemia.

O médico se baseia também em números obtidos na Coreia do Sul. O país conseguiu controlar o quadro da doença por meio da contenção, com a testagem massiva da população e de rastreamento de pessoas que estariam potencialmente infectadas.

Na prática

Após o pronunciamento de Bolsonaro, pedindo que o país “volte à normalidade”, diversas entidades da saúde manifestaram o descontentamento em relação à fala do presidente e alertaram os perigos que essa medida pode trazer, entre elas o colapso do sistema de saúde, resultando em hospitais lotados e com falta de suplementos médicos e respiradores.

O Conselho Nacional de Saúde considerou que o discurso do presidente, que chamou a doença de “resfriadinho”, “coloca em risco a vida de milhares de pessoas” e que é “uma afronta grave à Saúde e à vida da população”. Segundo a entidade, “a fala prejudica todo o esforço nacional para que o Sistema Único de Saúde (SUS) não entre em colapso diante do cenário emergencial que vivemos na atualidade”.

E também, com a reabertura dos estabelecimentos comerciais e escolas, não tem como isolar os idosos ou outros grupos de risco que moram com jovens e crianças que vão circular normalmente.

Será que, na prática, é possível o remanejamento gigantesco dos brasileiros para proteger os mais vulneráveis?

Países mantiveram medidas consideradas mais radicais, mas necessárias, e obtiveram melhores resultados. A China continental, por exemplo, conseguiu achatar a curva com uma estratégia de fechamento máximo. Hong Kong conseguiu conter o vírus com o distanciamento social, mas parou com as medidas rigorosas cedo demais e o número de casos aumentou. A Coreia do Sul só conseguiu resultados satisfatórios porque fez testes cedo e em muita gente. E, isso não ocorreu no Brasil, não estamos testando massivamente, não tem como ter um resultado exato da quantidade de casos.

Foto: Pixabay

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Edinaele Santos

Jornalista e Produtora, 22. Além de registrar fatos, o jornalismo escreve histórias que serão contadas por gerações.

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