São Paulo (AFP) – O estado de São Paulo iniciou nesta sexta-feira (14) a vacinação contra a covid-19 das crianças de 5 a 11 anos, dando início à campanha nacional após muitas idas e vindas devido às discordâncias entre o presidente Jair Bolsonaro e as autoridades sanitárias.Em um ato simbólico no Hospital das Clínicas, na Zona Oeste da capital paulista, o indígena Davi Seremramiwe Xavante, de 8 anos, foi a primeira criança vacinada contra a covid-19 no Brasil. De etnia Xavante, Davi possui mobilidade comprometida por causa de uma doença genética e realiza tratamento no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas.”Estamos vacinando a primeira criança”, disse durante o ato o governador João Doria (PSDB), que é apontado como possível candidato nas eleições presidenciais de outubro.A campanha de vacinação infantil começará na semana que vem em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, com prioridade para as crianças com limitações de mobilidade, deficiências permanentes e grupos vulneráveis, como os indígenas, entre outros.A imunização desta faixa etária, cuja população é estimada em mais de 20 milhões no Brasil, será realizada com as doses pediátricas do fármaco da Pfizer/BioNtech e precisa da autorização dos pais.Com o começo da campanha, um mês depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a vacina Pfizer/BioNTech para crianças, o Brasil se junta a uma lista crescente de países que já começaram a vacinar esta faixa etária, entre os quais estão Estados Unidos e Alemanha.A decisão sobre a vacinação de crianças no Brasil, no entanto, foi bastante polêmica por causa da resistência do governo em adotá-la, depois que o presidente Bolsonaro se contrapôs ao parecer da Anvisa.Bolsonaro, que insiste em afirmar que não se vacinou e que não vai vacinar sua filha Laura, de 11 anos, ameaçou há algumas semanas divulgar os nomes dos técnicos da Anvisa que aprovaram a imunização de menores, o que gerou uma onda de intimidação contra a agência reguladora.Bolsonaro tem se posicionado contra a vacina desde o início e adverte que o fármaco teria contraindicações às crianças. Além disso, o presidente insiste em minimizar os riscos da doença para os menores, afirmando que não tem conhecimento de mortes por covid nessa faixa etária.A maior parte dos especialistas, no entanto, discorda do presidente e considera a inclusão das crianças como essencial para proteger a saúde das próprias crianças, e reduzir a propagação do vírus no momento em que o país vê uma explosão de casos, possivelmente relacionada à variante ômicron.Desde o início da pandemia, o Brasil acumula mais de 620.000 mortes relacionadas ao coronavírus, um número somente superado pelos Estados Unidos. Até o momento, 74,1% da população brasileira já recebeu o esquema completo de vacinação.