O Ibovespa zerou ganhos e o dólar e os juros futuros voltaram a subir após o presidente do PSD, Gilberto Kassab, dizer que o presidente Jair Bolsonaro não convidou o seu partido, que possui 36 deputados na Câmara, a fazer parte da base do governo.

A declaração se soma ao já conturbado cenário político. Ontem, a Bolsa caiu após o ministro da Economia, Paulo Guedes, bater boca com deputados da oposição na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) sob o silêncio do Centrão.

Às 10h37 o principal índice da B3 tinha leve variação positiva de 0,13% a 94.610 pontos. Já o dólar comercial tem leve alta de 0,17% a R$ 3,8849 na compra e a R$ 3,8854 na venda, ao passo que o contrato do dólar para maio registra valorização de 0,32% a R$ 3,889. Os juros futuros avançam, com os DIs para janeiro de 2021 e janeiro de 2023 subindo dois pontos-base cada a 7,11% e 8,26% respectivamente.

A audiência da CCJC ontem com Guedes, que já estava tensa durante o fechamento do mercado, terminou em confusão após bate-boca do ministro com os parlamentares da oposição, que deixaram claro a resistência do Parlamento em relação a introdução do regime de capitalização e às mudanças no benefício assistencial a idosos miseráveis (BPC).

O que chamou a atenção do mercado, porém, foi o pouco apoio de deputados aliados ao governo em defesa das propostas de Guedes. Hoje, a mesma comissão deverá receber o secretário especial adjunto de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco.

Em relação ao andamento da reforma, a expectativa passa a ser a agenda de encontros do presidente Jair Bolsonaro ao longo do dia em Brasília. Segundo a agenda do presidente, há reuniões marcadas, a partir das 8h30, com líderes do PRB, PSD, PSDB, PP e DEM. A expectativa é fechar um bloco com nove a dez partidos.

Ontem, o vice-presidente, Hamilton Mourão, sinalizou de que o governo poderá ofertar cargos aos aliados. Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou que vai se encontrar com Bolsonaro, mas que o presidente precisa construir uma agenda com os parlamentares indecisos.

Ainda no Congresso, o Senado aprovou ontem a PEC do Orçamento Impositivo, que, por ter sido alterada, precisará retornar à Câmara. Cabe destacar que a dupla aprovação por parte do Congresso Nacional da limitação das ação do governo sobre o orçamento foi encarada pelo mercado como uma derrota para Bolsonaro.

Fonte: Infomoney
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