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Homens armados sequestraram 140 estudantes na região noroeste da Nigéria, na madrugada de segunda-feira (5) – informou um professor, no episódio mais recente de uma longa lista de ações do tipo contra centros de ensino.

Os criminosos armados escalaram uma cerca para entrar no internato da Bethel Secondary School, na cidade dede Chikun, estado de Kaduna, onde dormiam 165 alunos.

“Os criminosos levaram 140 estudantes, 25 conseguiram escapar”, disse à AFP Emmanuel Paul, professor da escola.

O porta-voz da polícia do estado de Kaduna, Mohammed Jalige, confirmou o ataque, mas não citou o número de estudantes sequestrados.

“Equipes táticas da polícia estão procurando os sequestradores. Ainda estamos na missão de resgate”, afirmou.

Quase 1.000 estudantes foram sequestrados em vários estados nigerianos. Muitos foram soltos após negociações com autoridades locais, mas alguns continuam em cativeiro.

Grupos criminosos aterrorizam as regiões noroeste e central do país mais populoso da África, com ataques a cidades, roubo de gado e sequestro de personalidades locais, ou viajantes, para exigir o pagamento de resgate.

Desde o início do ano, os grupos parecem ter fixado escolas e universidades como alvo.

Eles operam de acampamentos localizados na floresta de Rugu, que se estende pelos estados nigerianos de Zamfara, Katsina e Kaduna, assim como pelo Níger.

Apesar da ação estimulada pelo lucro, alguns são próximos a grupos extremistas islâmicos presentes no nordeste da Nigéria, a centenas de quilômetros de distância.

Terceiro ataque em três dias

Este foi o terceiro grande ataque em Kaduna nos últimos três dias, e o quarto sequestro de estudantes, desde dezembro.

O governador de Kaduna, Nasir Ahmad El Rufai, é um dos líderes políticos que mais insistem na mensagem de não se pagar resgate aos grupos criminosos.

No domingo (4), ao menos oito funcionários de um hospital do estado foram sequestrados, segundo a polícia. Fontes locais afirmam, no entanto, que 15 pessoas foram feitas reféns.

Sete pessoas morreram em ataques no domingo à noite em cidades vizinhas, informou o secretário de Segurança do governo de Kaduna, Samuel Aruwan.

O presidente Muhammadu Buhari, um ex-general que está no poder desde 2015, prometeu acabar com as atividades dos grupos criminosos, mas os sequestros em larga escala são apenas um de seus muitos desafios.

As forças de segurança nigerianas combatem desde 2009 a insurgência extremista no nordeste do país, um conflito que matou 40.000 pessoas e deixou quase dois milhões de deslocados.