Motorista vota nas legislativas em um drive thru para carros e bicicletas em Heerlen | AFP

Os holandeses comparecem às urnas nesta segunda-feira (15) para o primeiro dia das eleições legislativas, que prosseguirão até quarta-feira (17), consideradas um teste da gestão da pandemia pelo atual governo e que, exceto grande surpresa, concederão o quarto mandato ao primeiro-ministro Mark Rutte.

Os locais de votação abriram as portas nesta segunda-feira para pessoas com mais riscos de contrair a covid-19.

Tradicionalmente, as eleições acontecem em apenas um dia, mas este ano, devido à crise sanitária, o processo vai durar três dias.

Medidas estritas, em particular um toque de recolher, permanecem em vigor no país para tentar frear o novo coronavírus.

A instauração do toque de recolher no fim de janeiro provocou os maiores distúrbios na Holanda em 40 anos. No domingo, a polícia usou jatos d’água em Haia para dispersar um novo protesto contra o governo.

O coronavírus dominou a campanha, deixando em segundo plano temas como a imigração, o principal assunto das eleições anteriores.

As pesquisas apontam o Partido Popular para a Liberdade e a Democracia (VVD) do primeiro-ministro, o liberal-conservador Mark Rutte, no poder desde 2010, como grande vencedor com 25% das intenções de voto. Ele aparece muito à frente dos 13% projetados para seu principal rival, o Partido para a Liberdade (PVV) do deputado contrário ao islã Geert Wilders.

“Parece que os eleitores de direita realmente gostam do VVD e de Rutte”, declarou à AFP André Krouwel, professor de Ciência Política da Universidade de Amsterdã.

Para o cientista político, Rutte se “beneficia não apenas da vantagem de ser primeiro-ministro”, ou seja, do fato de ocupar o posto, e sim da “vantagem corona, pois foi o porta-voz durante a pandemia”.

Primeiro-ministro “teflon”

Na semana passada, Rutte anunciou algumas exceções ao toque de recolher, que vai das 21h às 4h30 locais, durante as eleições, para que as pessoas possam votar “sem obstáculos”.

As autoridades holandesas estimularam as pessoas mais idosas e mais vulneráveis a votarem cedo.

Os partidos conservadores Apelo Democrata Cristão (CDA) e União Cristã (CU), que integram a atual coalizão de governo, disputam a terceira posição nas pesquisas.

Com outros partidos muito próximos nas sondagens, porém, como o ecologista GroenLinks, ainda não está definida a forma como uma nova coalizão poderá ser estabelecida. As negociações para a formação da última, após as eleições de 2017, demoraram sete meses.

Este ano, a gestão da pandemia de covid-19 é o principal tema de debate. Inicialmente, as autoridades holandesas adotaram medidas mais leves que os países vizinhos e iniciaram a vacinação mais tarde, mas, nos últimos meses, intensificaram as medidas.

Conhecido como primeiro-ministro “teflon” por sua capacidade de escapar ileso das crises políticas, Rutte se viu obrigado a renunciar em janeiro, depois que milhares de pais foram acusados de maneira equivocada de fraude por receber auxílios familiares.

O governo continuou administrando os assuntos do dia a dia antes das eleições.

As eleições holandesas serão acompanhadas de perto pelo restante da UE, pois representa um dos principais testes sobre a resposta à pandemia de um governo do bloco este ano.

Mark Rutte é o terceiro chefe de Governo europeu há mais tempo no cargo, atrás da chanceler alemã, Angela Merkel, e do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban.

AFP