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Entre lindas e históricas áreas do Ceará, está a Chapada do Araripe, que é situada no Sul do Estado, no Cariri. O local é uma bacia cultural composta por uma herança de valor histórico, paisagístico, artístico, paleontológico, ecológico e científico. Além disso, a Chapada abriga fontes naturais, grutas e uma vasta cultura popular. 

A fauna e flora concedem à região características singulares e a vegetação, reconhecida diretamente pela sua diversidade onde destacam-se os traços da mata atlântica, cerrado, carrasco e da caatinga, que convivem com condições climáticas específicas. 

Além de ser uma Floresta Nacional, é uma APA, e inclui o Geopark Araripe, que possui 9 sítios paleontológicos, onde se encontram alguns dos fósseis mais antigos do planeta. 

UM SÉCULO ÍNTEGRO: Tráfico de fósseis e resistência científica 

Em janeiro de 2020, um grupo de cinco pesquisadores e estudantes visitou uma das dezenas de pedreiras mineradoras da região do Cariri, que abrange 29 cidades ao sul do Ceará. Estavam à procura de fósseis de plantas gimnospermas e queriam prospectar a região, que é considerada no mundo inteiro como um paraíso dos fósseis, atrativo de milhares pesquisadores. Um dos operários percebeu a movimentação e ofereceu ao grupo um saco cheio de pedras com marcas históricas. Questionado se doaria o achado para o museu de paleontologia da região, ele recolheu as peças, que na verdade estavam à venda.

A prática, que foi relatada por um estudante de Biologia que fazia parte do grupo(que preferiu não se identificar), é um crime federal. O tráfico de fósseis sucede em cidades cearenses como Nova Olinda e Santana do Cariri há pelo menos 100 anos e constitui um prejuízo histórico inestimável para cientistas locais. Centenas de milhares de peças estão espalhadas pelo mundo e se destacam em museus na Europa, muito distante de onde foram encontradas. Há ao menos 100 mil apenas em Londres, estimam cientistas. Uma operação da Polícia Federal apontou um professor universitário como um dos envolvidos em um esquema de tráfico de fósseis na região.

A região é oásis no meio do sertão. A Bacia Sedimentar do Araripe é onde se encontra a maior reserva a céu aberto de fósseis do Período Cretáceo, por exemplo. No local, está a Chapada do Araripe, um paredão com 940 metros e 9 mil km² de extensão – o equivalente a seis vezes a área da cidade de São Paulo – e que abrange ainda os Estados do Pernambuco e Piauí.

RECONHECIMENTO 

Apesar das perdas e do valor histórico inestimável desse espaço, no dia 5 de Fevereiro de 2020, representando o governador Camilo Santana, o secretário da Cultura do Ceará, Fabiano Piúba, esteve na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em Brasília (DF), em companhia do Reitor da URCA, Francisco Lima Júnior e o Diretor do Sesc/Senac Ceará, Rodrigo Leite, para a entrega de documentos para solicitar a inscrição da Chapada do Araripe como Patrimônio da Humanidade ao presidente interino do IPHAN, Robson de Almeida, e ao diretor do DECOF/IPHAN, Marcelo Brito.

A decisão de candidatar a Chapada do Araripe a Patrimônio Mundial ganhou legitimidade no “I Seminário Internacional Chapada do Araripe – Patrimônio da Humanidade” realizado em Juazeiro do Norte, Crato e Nova Olinda, Região do Cariri – Estado do Ceará, entre os dias 6 a 9 de Agosto de 2019, onde participaram gestores públicos, artistas, mestres, acadêmicos, pesquisadores, representantes de Instituições do Estado Federal, do Estado do Ceará, de associações, entidades locais e municipais, de setores da comunidade civil, cidadãos empenhados, singulares ou organizados dos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí, que em conjunto manifestaram o empenho em construir esta candidatura.

Interferência antrópica 

Muitas cidades ocupam áreas da chapada, provocando forte impactos negativos no ambiente. Uma relevante parte da mata original foi desmatada ou destruída por queimadas. O forte potencial econômico da chapada é bastante explorado por indústrias que, muitas vezes, não tomam o cuidado de zelar pelo desenvolvimento sustentável. As principais riquezas exploradas são as minas de gesso e calcário, além do extrativismo vegetal, que explora principalmente piqui, carnaúba, mandioca e frutas.

A Chapada do Araripe é um lindo local para quem gosta de trilhas, história, aventuras, grandes paisagens e riquezas culturais.