Samos (Grécia) (AFP) – A Grécia começou, nesta segunda-feira (20), a transferir centenas de requerentes de asilo para o primeiro dos novos acampamentos erguidos em suas ilhas com recursos da União Europeia (UE), horas depois de um incêndio queimar as instalações atuais. O primeiro ônibus deixou seus 22 passageiros em frente ao acampamento de Zervou, na ilha de Samos, rodeado de cercas de arame farpado e fechado com portões magnéticos.Na noite anterior, o secretário-geral de asilo do governo grego, Manos Logothetis, disse à AFP que cerca de 270 pessoas abrigadas no acampamento de Vathy nas proximidades, tomado pelas chamas no dia anterior, aceitaram se mudar para esta nova instalação.Inaugurado no sábado (18), trata-se da primeira das cinco estruturas de “acesso controlado e fechado” financiadas pela União Europeia em cinco ilhas gregas que recebem a maioria dos migrantes que chegam da costa da Turquia. “Hoje é um dia histórico (…) um dia de alegria para nós”, disse Logothetis à televisão estatal ERT.Na entrada do novo acampamento, a polícia colocou os imigrantes em fila e revistou um a um em busca de armas e objetos perigosos, observou um jornalista da AFP.Funcionários do setor migratório davam lençóis limpos a ingressantes, além de ensiná-los a usar seus cartões magnéticos dos portões de entrada.Alguns carregavam caixas com gatos de rua do antigo acampamento, onde a presença de ratos era uma ameaça constante.”Todo mundo está irritado com o que vai acontecer no novo acampamento. Acham que é uma prisão, mas eu não acho”, afirmou o camaronês Didier Tcakonmer, de 28, há mais de dois anos nesta ilha.”Será melhor do que lá, sem mosquitos e sem ratos”, acrescentou.- ‘Valores humanitários’O Ministério das Migrações garantiu no domingo (19) que nenhuma pessoa ficou ferida em um grande incêndio deflagrado em uma parte abandonada do acampamento de Vathy, onde vivem pelo menos 350 pessoas. Da cena do incidente, Logothetis assegurou que “não ter motivos para acreditar que (os migrantes) tivessem ateado fogo”. Em sua entrevista à ERT, ele afirmou que era “comum” entre os demandantes de asilo vasculhar seus pertences antes de trocarem de lugar e queimar tudo o que não queriam levar consigo.O incêndio “não foi uma surpresa, estávamos preparados para isso”, disse ele. O novo recinto tem 12 mil metros quadrados, está equipado com câmeras de vídeo de vigilância, scanners de raio-X e portas magnéticas. Logothetis garantiu que oferecem “segurança e valores humanitários”, mas as associações de defesa dos migrantes garantem que as condições são muito restritivas. A população local é contra esta nova instalação e pede a realocação de todos os migrantes da ilha para a Grécia continental, ou outros países europeus. Construído para 680 pessoas, o acampamento recebeu quase 7.000 migrantes em condições insalubres entre 2015 e 2016. Na vizinha ilha de Lesbos, o campo saturado de Moria sofreu dois incêndios que deixaram 13.000 migrantes sem abrigo.