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O presidente Emmanuel Macron anunciou nesta sexta-feira (9) que a França começará a fechar suas bases militares no norte do Mali até o final do ano, quando a ameaça extremista no Sahel começar a se mover para o sul e expor mais países da região a ataques islâmicos.

O fechamento dessas bases “será concluído até o início de 2022”, afirmou Macron em coletiva de imprensa, após uma cúpula com os líderes dos países do grupo G5 Sahel.

Macron anunciou no mês passado que começaria a retirar grande parte da força de 5.100 membros da operação Barkhane no Sahel, depois de oito anos de apoio às forças locais na luta anti-extremista.

Mas insistiu que a França continuará sendo um sócio a longo prazo para os países do G5 (Mali, Burkina Faso, Chade, Mauritânia e Níger).

“Nossos inimigos deixaram de lado suas ambições territoriais, preferindo ampliar sua ameaça não só no Sahel, mas em toda África Ocidental”, declarou Macron em coletiva de imprensa com o presidente do Níger, Mohamed Bazum.

“Infelizmente, esta ofensiva representa um aumento da pressão sobre todos os países do Golfo da Guiné, o que já é uma realidade”, disse.

Os analistas advertiram que a ameaça extremista nos cinco países do Sahel poderia provocar um aumento das ameaças terroristas em países como Costa de Marfim ou Benin.

“Vamos nos reorganizar em função desta necessidade de frear a propagação para o sul, e isso levará a uma redução da nossa presença militar no norte”, explicou Macron.

Após a retirada, a França continuará a ter “entre 2.500 e 3.000” soldados na região, acrescentou.

“Mas de forma alguma vamos assumir as responsabilidades e soberania das nações da região, para cumprir sua missão de restaurar a segurança e os serviços governamentais às suas populações”, disse.

Bazum, por sua vez, garantiu que o governo nigeriano facilitará a repatriação de 130 mil nigerianos que, fugindo de combatentes islâmicos, se refugiaram no Níger.

“Estabelecemos um prazo de novembro a dezembro para que todos os refugiados nigerianos na região de Diffa [no sudeste do Níger] voltem para suas casas”, disse ele.