Manágua (AFP) – Três filhos da ex-presidente da Nicarágua Violeta Barrios de Chamorro foram acusados nesta terça-feira (24) de lavagem de dinheiro e outros crimes no âmbito das investigações contra opositores do governo de Daniel Ortega, informou uma fonte oficial nesta terça-feira (24).Os filhos da ex-presidente são o jornalista Carlos Fernando Chamorro, exilado na Costa Rica desde junho; a ex-candidata presidencial Cristiana Chamorro, em prisão domiciliar desde 2 de junho; e o político Pedro Joaquín Chamorro, detido em 25 de junho, informou o Ministério Público em nota.No caso de Cristiana Chamorro, que despontava como forte rival para enfrentar o partido no poder nas eleições de 7 de novembro, ela havia sido acusada em junho de “gestão abusiva, falsidade ideológica e crime de lavagem de dinheiro”. Nesta terça-feira, o Ministério Público acrescentou as acusações de apropriação e retenção indevida, sem explicar os motivos.Segundo o Ministério Público, os crimes foram cometidos por meio da Fundação Violeta Barrios de Chamorro (FVBCH), centro de capacitação e defesa da liberdade de imprensa que Cristiana dirigiu por 20 anos, até fevereiro.Enquanto isso, Carlos Fernando foi acusado de lavagem de dinheiro, apropriação e retenção indevida, enquanto seu irmão Pedro Joaquín foi indiciado pelos crimes de gestão abusiva e retenção indevida.O único crime de Pedro foi “exigir eleições livres”, protestou seu irmão Carlos no Twitter, aludindo ao controle do partido no poder sobre o sistema eleitoral.O Ministério Público informou que “o Poder Judiciário admitiu a ampliação da denúncia contra Cristiana Chamorro e os demais indiciados”, sem especificar o nome do juiz que está encarregado do processo, nem quando serão as audiências prévias ao julgamento.Outras sete pessoas que trabalharam ou colaboraram com a Fundação FVBCH também foram acusadas de diversos crimes.Cerca de 34 opositores, incluindo sete candidatos à presidência, estão detidos desde junho pela polícia, alguns por lavagem de dinheiro e outros por “traição”, sob uma lei que entrou em vigor em dezembro passado que pune com prisão aqueles que promovem bloqueios econômicos e interferência estrangeira.O último detido, no domingo, foi Roger Reyes, advogado de um dos candidatos presidenciais presos.O presidente Daniel Ortega, no poder desde 2007, após duas reeleições sucessivas, foi autorizado por seu partido em 2 de agosto a disputar o quarto mandato nas eleições de novembro.

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