Captura de vídeo tirada em 26 de janeiro de 2021, do site do Fórum Econômico Mundial, mostra a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen | Foto: AFP

Os laboratórios devem honrar os compromissos assumidos e entregar no prazo as vacinas negociadas contra a covid-19 – declarou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta terça-feira (26), após os anúncios de atrasos na distribuição de doses dentro do bloco.

“A Europa investiu bilhões para desenvolver as primeiras vacinas contra a covid-19. Agora, as empresas devem manter suas promessas e honrar suas obrigações”, afirmou Von der Leyen, em um discurso por videoconferência no Fórum Econômico Mundial de Davos.

Já no limite após dificuldades na distribuição da vacina da Pfizer/BioNTech, a primeira a ser implantada na UE, Bruxelas está sob pressão após o anúncio de novos atrasos para entrega da vacina britânica da AstraZeneca, devido a uma “queda no rendimento” em uma fábrica.

Enquanto a autorização da entidade regulatória europeia para a vacina AstraZeneca é esperada na sexta-feira, Von der Leyen telefonou para o chefe do laboratório na segunda para lembrá-lo de “que a UE investiu quantias significativas (…) precisamente para garantir que a produção aumentasse” antes da comercialização.

“Por isso, vamos montar um mecanismo de transparência nas exportações de vacinas”, visando a identificar as entregas fora da UE de doses produzidas na Europa, lembrou a chefe do Executivo europeu em seu discurso nesta terça.

Ela também voltou a ressaltar que Bruxelas está ajudando a promover a implantação da vacinação em escala global.

“Devido às cadeias produtivas planetárias, a saúde dos nossos cidadãos e a recuperação econômica global andam de mãos dadas (…) Na aliança Covax, a UE, junto com 186 Estados, garantirá milhões de doses para países de baixa renda”, disse.

“Nenhuma empresa privada, ou autoridade pública, pode atingir o desenvolvimento tão rápido de uma vacina por conta própria”, observou Von der Leyen, destacando que a parceria público-privada deve ser um modelo para “grandes riscos futuros”.

Nesse sentido, a UE propôs em novembro passado a criação de uma nova autoridade, equivalente à Autoridade para Pesquisa Biomédica Avançada e Desenvolvimento (Barda) nos Estados Unidos, que tem meios colossais para colaborar com laboratórios.

Essa agência, chamada Autoridade de Resposta a Emergências de Saúde (HERA), que poderia ser operacional a partir de 2023, seria dedicada a estabelecer parcerias público-privadas com a indústria farmacêutica e com organizações de pesquisa, para melhor antecipar e enfrentar as próximas crises de saúde.

Um “programa de preparação de biodefesa” público-privado seria estabelecido dentro da HERA, explicou Ursula von der Leyen, nesta terça-feira.

Este programa “permanente” seria “pró-ativo, porque não podemos esperar que a próxima pandemia comece a se preparar”, afirmou.

“Será inteiramente dedicado à descoberta de patógenos conhecidos e emergentes, bem como ao desenvolvimento e produção de vacinas em escala suficiente para lidar com isso”, completou ela.

A presidente da Comissão garantiu ainda que serão disponibilizados “financiamentos previsíveis e de longo prazo” e que a iniciativa “reunirá empresas de tecnologia que lideram a inovação, assim como empresas tradicionais” do setor, ao lado dos órgãos reguladores.

Fonte: AFP