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EUA lança ofensiva contra grandes sucessos chineses na Internet

Ao proibir os aplicativos WeChat e TikTok nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump investe contra os dois gigantes chineses de Internet com ambições globais e abre uma nova frente na rivalidade tecnológica com Pequim.

O que é o WeChat?

É um aplicativo de mensagens instantâneas lançado em 2011 e que oferece funções semelhantes ao WhatsApp americano, como troca de textos, de fotos e de vídeos. O WeChat foi o primeiro a propor um recurso de mensagens de áudio que o tornou muito popular na China.

Desde então, o aplicativo adicionou uma ampla gama de serviços e se diversificou: pagamento por telefone (on-line, ou na loja, através de um sistema de código de barras), notícias, reservas de hotéis, ou de viagens, videogames, finanças on-line, entre outros.

Conhecido como Mandarin Weixin, o WeChat possui pelo menos 1,2 bilhão de usuários ativos. A maioria é chinesa, embora o aplicativo esteja disponível em cerca de 20 idiomas.

É de propriedade da Tencent, uma das gigantes chinesas no setor digital e líder incontestável em videogames para smartphones. O grupo rivalizou com o Facebook por um tempo em termos de preços das ações.

Aplicativo sob vigilância

O WeChat foi criticado pelo Citizen Lab, um instituto especializado em controle de informações e vinculado à Universidade de Toronto, por ter censurado qualquer referência ao novo coronavírus, quando a pandemia começou na China.

Alguns termos excluídos se referiam a informações que depois foram divulgadas oficialmente, como o fato de o vírus se espalhar de humano para humano.

Em nome da estabilidade, é comum na China os gigantes da Internet suprimirem conteúdos considerados politicamente sensíveis e que costumam ser classificados como “rumores”.

O WeChat filtra o conteúdo de todos os usuários registrados com um número de telefone chinês, disse o Citizen Lab em 2016.

A política de confidencialidade do WeChat aconselha que as informações do usuário possam ser compartilhadas “se necessário”, com o Estado, por exemplo, “para se submeter a uma obrigação legal, ou a procedimentos judiciais”.

TikTok, 2 bilhões de downloads

Passos de dança, ou música em playback, desafios filmados, cenas absurdas, ou engraçadas: o pequeno aplicativo de compartilhamento de vídeo conquistou adolescentes em todo mundo.

O TikTok superou dois bilhões de downloads no mundo, de acordo com a empresa que acompanha o mercado de aplicativos Sensor Tower, em um momento em que grande parte da humanidade estava confinada pelo novo coronavírus.

O TikTok é a versão internacional do aplicativo Douyin (seu nome em mandarim), destinado apenas ao mercado chinês.

Os dois pertencem ao grupo privado ByteDance, fundado em 2012, em Pequim, pelo engenheiro de computação Zhang Yiming. Na casa dos 30, ele foi uma das 20 maiores fortunas da China no ano passado, avaliada em US$ 13,5 bilhões, segundo o ranking da Hurun.

Suspeitas e controvérsias

Washington suspeita de que o TikTok seja uma ferramenta para os serviços de Inteligência chineses, uma acusação que a empresa sempre negou.

Os Estados Unidos representam para o TikTok o terceiro país em termos de downloads.

Na Índia, o aplicativo foi proibido no final de junho, também em nome da segurança nacional, após um confronto com a China que terminou em mortos por causa de litígios fronteiriços no Himalaia.

Os indianos representam um terço dos usuários do TikTok em todo mundo, de acordo com a Sensor Tower.

No ano passado, o TikTok já havia sido proibido brevemente na Índia e em Bangladesh, onde as autoridades acusaram o app de transmitir vídeos pornográficos.

Em 2019, o TikTok foi questionado por contas que difundiam vídeos de propaganda da organização Estado Islâmico (IS). O aplicativo acabou excluindo esses perfis.

Foto: Reprodução

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Brenda Bezerra

Estudante de publicidade e propaganda, produtora de moda e criadora de conteúdo.

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