Desde segunda-feira, dia 21, os caminhoneiros do país estão parados numa mobilização nacional que visa um acordo com o governo acerca dos preços abusivos praticados nas bombas de combustíveis. A paralisação afeta muitos setores econômicos e sociais. Andamos vendo, dia sim dia não, o reajuste no preço dos combustíveis.

Mas, você sabe por que isso vem acontecendo?

Fizemos uma cronologia da crise do combustível, analisando desde o governo Dilma até a eclosão da greve dos caminhoneiros.

Ainda no governo da presidenta Dilma,

a variação dos preços internacionais era repassada de forma defasada aos valores praticados no país, uma forma adotada para tentar segurar o aumento da inflação. A prática obrigava a Petrobrás a repassar o combustível por um preço abaixo do mercado, evitando assim que a variação no preço impactasse sobre outros produtos que dependem diretamente do transporte rodoviário e de insumos derivados do petróleo. Essa prática era uma verdadeira faca de dois gumes, pois ao mesmo tempo que poupava o bolso do cidadão brasileiro de sofrer as grandes variações de preço nos produtos de vários setores da economia, como vemos hoje, dava também prejuízos – ou pelo menos uma margem menor de lucro – para a Petrobrás.

Após o impeachment,

a política de preços dos combustíveis passou por uma mudança significativa sob o comando de Michel Temer, que em 2016 empossou Pedro Parente como novo presidente da Petrobrás. A partir de então os reajustes passaram a ser determinados pela Petrobrás de acordo com as variações do dólar e do preço do petróleo no mercado internacional, sem nenhuma interferência do Governo.

Já em outubro de 2016,

o valor dos combustíveis começou a acompanhar a tendência do mercado internacional tomando por base não somente o preço do petróleo bruto, como também custos como frete de navios, custos internos de transporte e taxas portuárias, além de uma margem para remunerar riscos inerentes à operação, como a volatilidade da taxa de câmbio e dos preços, taxas portuárias, lucro e tributos. Assim, as revisões de preço começaram a ser feitas pelo menos uma vez por mês.

Em junho de 2017,

a Petrobrás comunicou que não estava conseguindo acompanhar a mudança das taxas de câmbio e das cotações de petróleo e seus derivados, e que começaria a fazer ajustes nos preços quando fosse necessário, deixando claro, inclusive, que isso poderia ser uma prática diária. Em dezembro, pela primeira vez desde a implementação dessa nova política, o litro de gasolina ultrapassou os R$ 4 nos postos.

Em maio de 2018,

começa a movimentação dos caminhoneiros, classe trabalhadora responsável por levar suprimentos básicos à população através das rodovias, sendo bastante afetados pela oscilação dos preços dos combustíveis. No dia 16, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) apresentou um ofício ao governo federal onde pedia o congelamento do preço do óleo diesel e a abertura de negociações, mas foi ignorada. No dia 18, a organização lançou um comunicado em que mencionava a possibilidade de paralisação a partir de segunda-feira, dia 21.

Na terça, pouco depois de a Petrobrás anunciar redução nos preços do diesel nas refinarias, motivada por uma leve queda do dólar, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, declarou que não havia espaço para cortar impostos, diante da dificuldade de equilibrar as contas públicas. Na quarta-feira, pressionado pelos efeitos da greve, Pedro Parente, anunciou que a estatal fará uma redução de 10% no preço do óleo diesel – e que manterá este preço durante as próximas duas semanas. A paralisação, no entanto, continuou.

Vale lembrar

que os caminhoneiros estão pedindo bem mais que uma simples queda ou congelamento provisório no valor dos combustíveis, eles estão pedindo medidas de subsídio para que o transporte rodoviário possa continuar abastecendo os diversos setores econômicos que dependem dele.

Com a greve tivemos um verdadeiro preview de apocalipse, mercadorias faltando nos supermercados, o brasileiro classe média, no auge do seu desespero e individualismo, correndo atrás de estocar itens. Tivemos a falta de combustível nos postos, pois os combustíveis são levados até as bombas através de caminhões, a ameaça da paralisação dos transportes públicos, que também dependem desse transporte de combustível, o comunicado dos aeroportos dizendo que estão utilizando as últimas reservas de combustíveis, enfim, uma série de serviços que irão parar caso o governo não tenha o mínimo de consciência para uma negociação eficaz.

Outros ponto importante é

a guerra no Oriente Médio, comprometendo as rotas de distribuição do petróleo, fazendo o preço do barril subir. Ainda tem o governo polêmico e instável de Donald Trump, nos Estados Unidos, fazendo com que a cotação do dólar sofra forte oscilação diariamente. Todos esses fatores, combinados com a organização em forma de cartel dos postos de gasolina no Brasil, ou seja, as grandes empresas de distribuição de combustível mantém um acordo, implícito ou explícito, para a fixação de preços, cotas de produção, divisão de clientes e mercados de atuação, assim eles ditam o preço que querem, não deixando o princípio de livre concorrência ocorrer, obtendo maiores margens de lucro em detrimento do bem estar social… tudo isso leva à forte crise que foi instaurada, sendo que o principal alicerce é, sem dúvidas, essa nova forma do Temer em lidar com a Petrobrás.

Na internet, foi levantado um ponto que deve ser analisado:

o lockout, que se diferencia da greve, pois tem como característica a paralisação das empresas e não dos funcionários, e tem como simples objetivo conseguir melhorias em benefício próprio. Então, fica a dúvida: caso os caminhoneiros consigam o acordo, o quanto dessa situação toda vai cair no bolso do cidadão?

 

Fotos: Reprodução