Brasília – Plenário da Câmara dos Deputados antes do inicio da discussão do relatório do Impeachment (Antônio Cruz/Agência Brasil)

O Congresso decide nesta segunda-feira (1°) quem irá comandar as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado nos próximos dois anos. As eleições para presidência na Câmara dos Deputados é o ponto de tensão. De um lado, o aliado de Rodrigo Maia (DEM-RJ), Baleia Rossi (MDB-SP) , enquanto Arthur Lira (PP-AL) já solidificou sua base como aliado do Planalto. 

Para conquistar seus aliados, Maia e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ultimamente, tornou-se uma tensa disputa, envolvendo trocas de acusações públicas e articulações nos bastidores para conquistar aliados. 

Pedidos de impeachment já foram pedidos, porém o presidente da Câmara é que decide monocraticamente, se há elementos jurídicos para dar sequência aos pedidos, como também só é autorizado a ser aberto como aval de pelo menos dois terços dos deputados (342 de 513).

Maia se manteve pressionado em abrir o processo, mas já deu declarações de que não estaria disposto a pautar o assunto, a despeito das seguidas críticas feitas a Bolsonaro. 

É nesse sentido, inclusive, que a campanha impetrada por Baleia Rossi nas redes sociais se pauta na “Câmara livre”. Ele indica, com isso, que a vitória de Lira representaria, potencialmente, uma intervenção do Planalto nas decisões legislativas. 

Bolsonaro chegou a sugerir a recriação de alguns ministérios – da Cultura, do Esporte e da Pesca –, ainda que tenha reconhecido que pode ser alvo de críticas ao ampliar o número das atuais 23 pastas. O presidente disse que iria interferir na eleição do Congresso. 

“É um alerta aos deputados e deputadas que a intenção do presidente é transformar o Parlamento num anexo do Palácio do Planalto, o que enfraquece o mandato de cada deputado e deputada e o protagonismo da Câmara nos debates com a sociedade”, afirmou Rodrigo Maia. 

Segundo Maia, a interferência do Governo terá sequelas. Na avaliação de Maia, na execução do Orçamento é preciso o mínimo de organização e compromisso republicanos e democrático. 

Atualmente, Lira se apresenta como favorito, tendo uma estimativa de 280 a 290 votos, assim consegue levar no primeiro turno a eleição, a campanha está confiante em conseguir vencer no primeiro turno. Já a campanha de Baleia, se dedica para a eleição chegar no segundo turno, obtendo mais chances de conseguir mais votos. 

O horizonte ficou ainda mais nebuloso quando, na noite de ontem, o DEM – partido de Maia – resolveu adotar “neutralidade” na eleição, liberando sua bancada para votar sem definir uma orientação. A campanha do candidato do MDB agora age para evitar a saída do Solidariedade do bloco. Para vencer no primeiro turno, são necessários 257 votos.

Votação 

A Mesa Diretora decidiu, ainda no dia 18 de janeiro, que a eleição será presencial para todos os deputados. Contudo, por conta da pandemia, 21 cabines de votação foram espalhadas pela Câmara para registrar a escolha dos parlamentares. O voto permanecerá sendo secreto. O espaço destinado mede 1 metro de profundidade e 90 centímetros de largura. O local é fechado por três paredes de madeira e uma cortina, e foi apelidado por deputados da oposição de “cabine da Covid”. 

Maia chegou a defender uma votação mista, presencial e virtual, para preservar parlamentares do grupo de risco. Segundo ele, três mil pessoas deverão circular pela Casa nesta segunda-feira. Ele foi vencido, no entanto, por 4 votos a 3.