Foto: Júlio Nascimento/PR

O ex-secretário executivo do ministério da Saúde Antônio Élcio Franco, presta depoimento na CPI da covid nesta quarta (9). Ele era o número 2 na pasta durante a gestão de Pazuello.

O coronel da polícia militar (Franco), é questionado sobre compras e distribuição de insumos essenciais no enfrentamento da pandemia.

O ex-secretário também esclarece as negociações para compra de vacinas, especialmente o fato do governo não ter respondido as mensagens e recusado assinar contrato com a empresa Pfizer, o que iria gerar o envio de um grande lote de vacinas ainda em 2020.

De acordo com o gerente geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, Franco se retratou diretamente à farmacêutica durante as ofertas realizadas pelo governo.

Pazuello afirmou à comissão, que nunca chegou a se retratar diretamente com a Pfizer sobre compras de vacinas.

Após esse depoimento, o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues, mostrou provas que a Pfizer enviou, no total, 53 e-mails ao governo brasileiro, para saber sobre o envio do lote de vacinas ainda em 2020. Documentos também revelaram que a farmacêutica enviou uma carta cobrando respostas até o gabarito do presidente Jair Bolsonaro.

Vírus no computador

Na última semana, foi revelado um e-mail enviado em novembro de 2020 em que Élcio Franco responsabiliza um vírus na rede de computadores da pasta a falta de resposta a Pfizer.

“Informo que, em virtude de um problema de vírus em nossa rede do Ministério da Saúde, estamos com uma série de dificuldades de conexão em rede e abertura de e-mails, o que dificultou ou até impediu o acesso aos arquivos enviados até a presente data, assim como sua respectiva análise”, escreveu Franco em 10 de novembro de 2020.

Em seguida ao comunicado, a farmacêutica enviou mais uma série de e-mails ao governo brasileiro, com diferentes ofertas. Entretanto, o primeiro contrato feito entre a Pfizer e o governo Jair Bolsonaro, só foi assinado em março deste ano.

Quebra de sigilo

Na CPI, os senadores também devem votar, na retirada do sigilo de documentos que a comissão recebeu nas últimas semanas, que não receberam justificativas plausíveis para serem mantidas em segredo.

Nesta quarta, a CPI também poderá votar na quebra dos sigilos telefônicos e de dados de pelo menos 17 pessoas, que atuavam no combate à pandemia.

A lista inclui os ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e o assessor internacional da Presidência da República Filipe Martins, além de ex- e atuais gestores do Ministério da Saúde e especialistas apontados pela CPI como integrantes do chamado “gabinete paralelo”.

Acompanhe: