O dólar subia ante o real nesta quinta-feira, tendo superado o patamar de 4 reais logo na abertura, com tensões políticas entre Executivo e Legislativo de volta ao foco, o que eleva a preocupação em relação à reforma da Previdência.

Às 12h04, o dólar à vista subia 0,52 por cento, a 3,9747 reais na venda. Na máxima do dia, a cotação foi a 4,0165 reais. O dólar não termina uma sessão acima de 4 reais desde o começo de outubro do ano passado.

Na véspera, a moeda teve alta de 2,27 por cento, a 3,9545 reais na venda. O dólar futuro caía cerca de 0,46 por cento nesta quinta-feira.

A tensão política que já se prolongava desde a semana passada se deteriorou de vez no fim da quarta-feira, depois que o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) voltaram a trocar farpas publicamente.

Em entrevista à TV Bandeirantes no fim da tarde, Bolsonaro disse que Maia estaria “abalado por motivos pessoais”, em possível referência à prisão do ex-ministro Moreira Franco, padrasto de sua esposa, na semana passada.

Maia rebateu, afirmando que “abalados estão os brasileiros,que estão esperando desde 1º de janeiro que o governo comece a funcionar”, acrescentando que o presidente está “brincando de presidir o Brasil”.

“Estamos num cenário muito ruim de forma geral, o dólar chegando a 4 reais indica que o mercado coloca em dúvida a possibilidade de uma reforma da Previdência dada essa crise política que foi instalada”, afirmou a estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte.

“O que vemos desde o meio da semana passada, e o que ficou escancarado nesses últimos dias, é que falta de fato ao governo a articulação política”, ponderou a estrategista.

Somando ao mau humor, mais cedo o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que não tem apego ao cargo ao ser questionado se deixaria o posto caso a reforma da Previdência trouxesse uma economia menor do que a almejada.

Fonte: EXAME
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