A taxa de desemprego no Brasil subiu para 14,6% no trimestre julho-setembro, ante 14,4% no período junho-agosto, marcando o terceiro recorde histórico consecutivo em uma economia atingida pela pandemia do coronavírus – apontam dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira (27).

No total, 14,1 milhões de pessoas estiveram em busca de trabalho no terceiro trimestre, informou o IBGE, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua).

Os dados de julho-setembro são pouco melhores que a expectativa média de 14,8% de instituições e analistas consultados pelo jornal Valor Econômico.

No mesmo período de 2019, o desemprego era de 11,8% e, desde então, o contingente de pessoas à procura de trabalho teve um aumento de 1,6 milhão.

Os dados estabelecem outros recordes tristes, como 5,9 milhões de desanimados, aqueles que desistiram de procurar trabalho por falta de oportunidades e, portanto, não aparecem nas estatísticas de desemprego, acrescenta o IBGE, cujos estudos são realizados com pesquisas em domicílio.

A taxa de informalidade representa 38,4% da população ocupada, um aumento em relação a 36,9% no trimestre anterior, mas uma redução em relação ao mesmo período de 2019 quando totalizou 41,4%.

A pandemia do coronavírus, que já deixou mais de 170 mil mortos no Brasil, e as medidas de confinamento parcial para enfrentar a propagação do vírus afundaram a economia, que neste ano deve registrar uma recessão de 4,5%, segundo as últimas projeções do governo.

O governo do presidente Jair Bolsonaro recebeu uma boa notícia nesta quinta-feira, porém, com o anúncio de que o número de empregos formais havia registrado aumento líquido de 394.989 em outubro, praticamente o dobro do esperado pelos analistas.

O Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, que será divulgado na próxima semana, deve registrar alta de mais de 8% em relação ao segundo. A continuidade da recuperação está pendente, no entanto, devido aos temores de um novo surto da pandemia e às dúvidas dos investidores sobre a solidez fiscal do país.

Foto: AFP