(Imagem: Reprodução/Canva)

A cultura do cancelamento, originada no âmbito da internet, tornou-se uma grande justiceira social. Essa cultura ganhou maior repercussão nas redes sociais nos últimos anos, sendo considerada o termo do ano em 2019 pelo Dicionário Macquarie, que todos os anos seleciona as palavras e expressões que mais caracterizam o comportamento de um ser humano.

O movimento é caracterizado por internautas que cancelam indivíduos, marcas, instituições, etc, que não agem de acordo com aquilo considerado “politicamente correto” ou “certo a se fazer”. 

Uma das principais razões do cancelamento estão as falas e atitudes que podem agredir um grupo de minoria, como as populações preta, LGBTQIA+ e indígena.

Mas como funciona na prática? Hoje, em redes sociais como o Twitter e Instagram, vemos diversos famosos ou influenciadores digitais serem “cancelados”, ou seja, sendo excluídos da sociedade por determinada pessoa ou grupo, deixando de existir na vida delas e não permitindo que elas sigam suas vidas sem a devida punição. Algumas vezes é temporário, outras vezes a pessoa cancelada precisa mudar, pelo menos exteriormente, para ser aceita novamente.

“A cultura do cancelamento está entre as coisas mais cruéis que a internet pode fomentar! Cancelar é tornar sem efeito, é anular”, disse o empresário carioca Thiago Magalhães nesta terça-feira (2) em sua rede social. 

Uma pessoa ser cancelada significa que ela fez ou disse algo errado, que não é tolerado no mundo atual. Algumas pessoas, no entanto, possuem vivências diferentes e não conseguiam enxergar seus erros antes de terem sido rechaçadas na internet, sendo então essa punição uma maneira de educar.

(Foto: Reprodução/Twitter)

Esta forma de cancelamento pode gerar debates sobre racismo, preconceitos com determinadas classes sociais, xenofobia, homofobia, entre outras intolerâncias. Mas o ato de cancelar também pode acontecer com coisas banais, como falar mal de uma cantora pop muito famosa ou dizer que não gosta de algo muito popular.

O caso mais recente está sendo o reality show BBB21, por que está trazendo à luz a pauta do cancelamento. Em que alguns participantes se ditam no direito de cancelar outros participantes, excluindo e humilhando, fazendo esses aprenderem o que é certo e errado. Na última segunda-feira (1), o programa contou com o primeiro jogo da discórdia, o apresentador Tiago Leifert pediu a cada uma dos confinados para apontarem dois “canceladores”, pessoas que têm a atitude de “cancelar” outras

Mas o que o cancelamento pode trazer para realidade? Para artistas e influenciadores digitais, que entendem melhor a dura realidade de ser cancelado, afirmam que é um momento meio louco na rede “.com”, pois não sabem se o amanhã será cancelado. Em muitos casos parecidos, as pessoas canceladas acabam recebendo duras críticas, comentários com palavras baixas, ameaças de morte, entre outras coisas prejudiciais à saúde mental.

A cultura do cancelamento é boa ou ruim? A pauta divide opiniões na internet entre favoráveis e os contrários à prática virtual. Alguns acreditam que esse tipo de manifestação nas redes sociais são formas de expor autoridades e figuras públicas privilegiadas e protegidas por seu status social. Há os que defendem também que as redes sociais dão espaço de fala a grupos social e historicamente excluídos.

Dessa forma, os cancelamentos trazem à tona velhos problemas sociais e dão a chance desses grupos ampliarem suas críticas, cobrarem ações de autoridades e figuras públicas e, até mesmo, fazer denúncias de violações aos direitos humanos.

(Imagem: Reprodução/Canva)

Por outro lado, alguns especialistas afirmam que o ato de cancelar pessoas não promove, de fato, mudanças nas estruturas sociais nem proporciona pensamentos críticos. Outros ainda consideram que a cultura do cancelamento é um tipo de linchamento virtual, no qual usuários buscam fazer justiça com as próprias mãos e agem de forma autoritária e punitiva.

As pessoas precisam, de fato, entender que diversos comportamentos não são mais aceitos na sociedade. O importante é não ferir a integridade do próximo, do contrário estaria agravando ainda mais uma problemática do que solucionando.