Nesta quinta-feira (8) a CPI da Covid recebe a enfermeira Francieli Frantinato, ex-coordenadora do PNI (Programa Nacional de Imunizações) do Ministério da Saúde, para que ela relata as dificuldades enfrentadas no cargo e explique as diretrizes da vacinação de gestantes contra o coronavírus.

A mesma estava à frente das políticas de vacinação desde outubro de 2019 e foi exonerada do cargo nesta quarta-feira (7). A saída já havia sido divulgada pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, no dia 1 deste mês.

Em entrevista feita pela ‘Folha de S.Paulo’, Francieli disse que sua saída não tinha sido motivada por pressão nas investigações da CPI.

Segundo ela, a decisão foi tomada por conta própria e ocorreu devido a dificuldades para incentivar a campanha contra a covid-19, situação que ela atribui a dois motivos: falta de vacinas e falta de apoio em ações de comunicação.

“Qualquer programa de vacinação no mundo, para ter sucesso, precisa de vacina e comunicação, e não tive nenhum dos dois”, afirma. “Solicitei diversas vezes uma comunicação em relação às ações de vacinação e pouquíssimas vezes fui atendida.”

Os senadores também devem questioná-la e pedir esclarecimentos referentes aos critérios de aplicação de vacinas a gestantes.

O requerimento da convocação, apresentado por Otto Alencar (PSD-BA) afirma que, “A doutora Francieli Frantinato editou nota técnica aos estados, recomendando a vacinação de gestantes que tinham recebido a primeira dose da AstraZeneca, com qualquer vacina que estivesse disponível, sem nenhuma comprovação de segurança ou eficiência disso em gestantes”.

Parte dos senadores da CPI querem entender se houve negligência na época. Isso porque o assunto tem sido discutido no país desde que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) propôs, em maio deste ano, a suspensão do uso da vacina Oxford/AstraZeneca em mulheres grávidas.

A decisão ocorreu após a morte de uma gestante que recebeu o imunizante, a Anvisa considerou que se tratava de um “evento adverso”, e não um “efeito adverso”. A agência também explicou que o uso do imunizante em gestantes não é recomendado em bula.

Em um trecho da nota divulgada pela Anvisa diz, “O uso off label de vacinas, ou seja, em situações não previstas na bula, só deve ser feito mediante avaliação individual por um profissional de saúde que considere os riscos e benefícios da vacina para a paciente. A bula atual da vacina contra covid da AstraZeneca não recomenda o uso da vacina sem orientação médica”.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e a secretária extraordinária de enfrentamento à covid-19, Rosana Leite, devem dar entrevista hoje, às 11h30, sobre novas orientações na vacinação de gestantes e puérperas.

No início de junho, Francieli se tornou investigada pela CPI e teve quebra do sigilo telefônico. Ela tentou recorrer a medida no STF (Supremo Tribunal Federal), mas o ministro Alexandre de Moraes manteve a quebra de sigilo.

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