O primeiro-ministro holandês Mark Rutte em Haia, em 26 de fevereiro de 2021 | AFP

Os eleitores holandeses comparecerão às urnas na próxima semana para o primeiro teste de fogo de um governo europeu em 2021, com o primeiro-ministro liberal Mark Rutte na disputa por um quarto mandato.

Apesar da Holanda ter registrado distúrbios violentos recentemente por um polêmico toque de recolher – estabelecido para combater a covid-19 -, Rutte lidera as pesquisas.

Mais de um ano depois de seu início, a pandemia dominou os debates das eleições parlamentares de 17 de março, deixando pouco espaço para outros temas, como a política eurocética e anti-imigração do líder da oposição Geert Wilders.

Alguns locais de votação abrirão as portas nos dias 15 e 16 de março para os idosos e as pessoas vulneráveis ao vírus.

“Estas eleições têm a ver com a covid-19 e com a crise econômica que surgirá da pandemia”, declarou à AFP André Krouwel, professor de Ciências Políticas na Universidade Livre de Amsterdã. “É diferente das eleições anteriores, quando se abordava mais a imigração e a integração europeia”.

Um total de 37 partidos, número recorde em várias décadas, disputam as 150 cadeiras da Câmara dos Deputados, em um cenário político muitas vezes fragmentado e que geralmente resulta em coalizões complexas.

O Partido Popular pela Liberdade e a Democracia (VVD) de Mark Rutte tem atualmente 33 cadeiras e lidera uma coalizão de quatro formações, com o Apelo Democrata Cristão (CDA), a União Cristã (CU) e o D66 de centro-esquerda.

Governo popular

As eleições serão acompanhadas de perto na Europa: a Holanda é a quinta maior economia da Eurozona e a segunda voz mais forte, depois da Alemanha, na defesa da disciplina financeira.

Mark Rutte está há 11 anos no poder, o que faz dele um dos líderes europeus mais longevos. O VVD lidera as pesquisas há vários meses, mas registrou uma leve queda nas últimas semanas.

Chamado de primeiro-ministro “teflon” por sua capacidade de escapar ileso das crises políticas, Rutte se viu obrigado a renunciar em janeiro depois de um escândalo em que milhares de pais foram acusados falsamente de fraude em benefícios recebidos por seus filhos.

Seu governo continuou administrando os temas correntes no período prévio às eleições, inclusive com a flexibilização das restrições na pandemia, que eram as mais severas no país desde o início da crise.

Este ano, a gestão da covid-19 parece ter ofuscado todas as outras questões. “O governo é bastante popular agora, ao menos o primeiro-ministro”, reconheceu em entrevista à AFP o líder da extrema direita Geert Wilders.

Possíveis surpresas

Em um primeiro momento, a Holanda optou por restrições anticovid muito mais simples que os governos vizinhos, mas endureceu as medidas consideravelmente após a segunda onda de contágios.

O toque de recolher está em vigor das 21H00 às 4H30 e os cafés e restaurantes permanecem fechados.

As medidas limitaram drasticamente a campanha eleitoral. Os partidos tentaram convencer os eleitores com debates na TV e mensagens nas redes sociais.

O único partido que organizou grandes comícios foi o Fórum Para a Democracia (FVD) do populista Thierry Baudet, que adotou um tom abertamente cético e contrário ao confinamento.

Se Mark Rutte vencer, ele provavelmente terá que formar outra coalizão.

Um possível novo aliado poderia ser o partido GroenLinks (Esquerda Verde), do jovem e carismático líder Jesse Klaver, que registrou bons resultados nas eleições anteriores.

“Algo está mudando (…) Podem acontecer surpresas”, afirmou Klaver à AFP.

AFP