Washington (AFP) – O Congresso dos Estados Unidos ordenou uma investigação do Departamento de Estado sobre o assassinato do ex-presidente haitiano Jovenel Moise em julho de 2021.O Senado votou por unanimidade na quinta-feira para emitir um relatório dentro de 180 dias com uma “descrição detalhada” das circunstâncias em torno do assassinato de Moise.O relatório, já autorizado pela Câmara dos Deputados, também analisará se houve interferência na investigação oficial e se algum dos responsáveis pelo crime trabalhou em algum momento para o governo norte-americano.No início deste mês, promotores americanos acusaram um ex-soldado colombiano, Mario Palacios, de conspirar para sequestrar ou matar Moise em uma operação que resultou na morte de três mercenários colombianos e na prisão de outros.Até hoje, permanecem dúvidas sobre o motivo do assassinato de Moise, que havia prorrogado seu mandato no país caribenho em meio a grande polêmica. Para a oposição, seu governo havia terminado em fevereiro.De acordo com a polícia colombiana, os detidos disseram que planejavam sequestrar Moise e entregá-lo à Agência Antidrogas dos Estados Unidos.O primeiro-ministro haitiano, Ariel Henry, declarou recentemente que deseja que “a justiça triunfe pelo infame assassinato” de Moise.A lei aprovada pelo Congresso também exige que o Departamento de Estado analise a questão dos direitos humanos e o uso de ajuda enviada para lidar com a destruição do terremoto que devastou o país em 2010.”Estamos muito preocupados que um governo haitiano tão instável quanto corrupto permita ou encoraje mais abusos dos direitos humanos”, disse o senador democrata Ben Cardin, um dos apoiadores do projeto, em comunicado nesta sexta-feira.Os Estados Unidos “devem agir com urgência para ajudar nossos vizinhos haitianos”, acrescentou, observando que o Unicef informou que 1,6 milhão de pessoas no Haiti, incluindo 800.000 crianças, precisam urgentemente de assistência humanitária.Os regulamentos também exigem uma investigação e pressão para responsabilização pelo massacre no bairro de La Saline, em Porto Príncipe, em 2018, no qual dezenas de pessoas morreram.”Por muito tempo, o povo haitiano suportou as dificuldades da corrupção, gangues criminosas, distúrbios civis e desastres naturais devastadores”, disse o senador republicano Marco Rubio em comunicado nesta sexta-feira.Sem um parlamento em funcionamento há dois anos e com um judiciário paralisado, o Haiti, o país mais pobre do Caribe, está afundando em uma crise de governabilidade.O crescente controle das quadrilhas sobre o território nacional dificulta as esperanças de melhoria das condições de vida da população, vítima de sequestros cometidos diariamente por gangues armadas.