Acampamento de refugiados em hokseumawe, na província de Aceh (Indonésia), em 27 de janeiro de 2021 | Foto: AFP

Centenas de rohingyas desapareceram de um acampamento de refugiados na Indonésia e acredita-se que tenham sido levados por traficantes para a vizinha Malásia – disseram autoridades locais nesta quinta-feira (28).

Esta semana, restavam apenas 112 refugiados no acampamento improvisado em Lhokseumawe, na costa norte da Indonésia, um número muito inferior aos quase 400 que chegaram entre junho e setembro do ano passado.

Nem as autoridades locais nem a ONU souberam dar conta do paradeiro dos refugiados desta minoria muçulmana apátrida de Mianmar, que teriam recorrido a traficantes para ajudá-los a cruzar o Estreito de Malaca para a Malásia.

“Ainda não sabemos para onde eles foram”, disse Ridwan Jalil, responsável pelos rohingya em Lhokseumawe.

“Mas sempre fogem, se encontram um forma de sair, porque esse é seu objetivo”, completou.

Em 2017, a repressão militar dos rohingyas em Mianmar, que investigadores da ONU equiparam a um genocídio, forçou 750.000 deles a fugirem pela fronteira para o distrito de Cox’s Bazar, no sudeste de Bangladesh. Muitos deles acabaram em imensos campos de refugiados.

Desde então, milhares de pessoas pagam traficantes para tirá-los de Bangladesh. Enfrentam duras travessias marítimas de meses, marcadas por doenças, agressões por parte dos contrabandistas e fome para chegar à Indonésia e à Malásia.

Pelo menos 18 rohingyas do acampamento de Lhokseumawe e vários supostos traficantes foram detidos pela polícia recentemente a várias centenas de quilômetros ao sul, na cidade de Medan, um ponto de passagem frequente para as travessias ilegais rumo à Malásia.

País de maioria muçulmana e relativamente próspero, a Malásia é o principal destino dos rohingyas que fogem dos acampamentos de refugiados.

Mais de 100.000 vivem agora marginalizados, registrados como refugiados, mas sem poder trabalhar. Essa condição os força a aceitar trabalhos ilegais na construção e outros empregos de baixa remuneração.

Fonte: AFP