Santiago (AFP) – Três candidatos à presidência do Chile da oposição se comprometeram, nesta sexta-feira (15), a reformar o questionado sistema previdenciário administrado por empresas privadas e repudiado, de acordo com pesquisas, pela maioria da população por pagar aposentadorias muito baixas. “Eu me comprometo a acabar com as AFPs” (Administradoras de Fundos de Pensão), empresas privadas que, há quatro décadas, administram as aposentadorias individuais dos trabalhadores chilenos, declarou o candidato de esquerda Gabriel Boric, em debate organizado pela Associação de Radiodifusores do Chile (Archi). Nas sondagens, Boric aparece como favorito para as eleições de 21 de novembro, A candidata de centro-esquerda Yasna Provoste, única mulher na disputa, também prometeu reformar o sistema previdenciário, se chegar ao poder, devido ao “fracasso das AFPs”. A mesma promessa foi feita pelo progressista Marco Enríquez-Ominami.A proposta de mudança do sistema previdenciário foi rejeitada pelo candidato da direita, Sebastián Sichel.”Não quero que meu dinheiro seja administrado por um órgão fiscal”, disse ele, em sintonia com sua linha crítica de tudo o que esteja relacionado com uma maior presença do Estado em temas sociais, como Educação e Previdência, em um modelo de economia ultraliberal.O candidato de extrema direita José Antonio Kast propôs algumas reformas no sistema e sugeriu melhorar as condições de aposentadoria dos militares, afirmando que eles “trabalham mais” do que os civis. Essa proposta é polêmica, uma vez que as Forças Armadas têm um sistema especial de previdência administrado pelo Estado, o qual concede pensões muito superiores às do restante da população.A indignação com as baixas aposentadorias foi, inclusive, uma das causas da violenta explosão social de 2019, uma mobilização que foi canalizada para um processo constituinte. No Chile, existe um clamor pela mudança do sistema previdenciário, mas, por enquanto, não há uma proposta concreta de um modelo que substitua o atual. Desde setembro de 2020 e em meio à pandemia da covid-19, o Congresso aprovou três retiradas de 10% cada dos recursos acumulados em contas individuais nas AFPs. Nos três primeiros saques, os trabalhadores chilenos retiraram um total de US$ 50 bilhões, segundo a Superintendência de Pensões. Com essas retiradas, hoje são cinco milhões de pessoas entre 11 milhões de associados, sem fundos de aposentadoria nestas administradores instituídas há 40 anos, sob a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).Boa parte da atual expansão econômica se deve ao forte aumento do consumo gerado pelas retiradas e pelos benefícios sociais concedidos pelo governo às famílias. No segundo semestre, estas ajudas alcançaram 16 milhões dos 19 milhões de habitantes do país.