No mês de abril, estava sendo criada uma bateria que estava sendo desenvolvida na Austrália e que seria capaz de dar a carros elétricos uma autonomia estimada em 2 mil quilômetros. O composto utilizado nela é lítio-enxofre (Li-S), que custaria muito menos do que células de íon-lítio para ser produzida e, com essas características, poderia revolucionar a indústria mundial de carros elétricos.

Porém, a notícia mais surpreendente é que o Brasil será o primeiro país a ter uma fábrica de baterias de lítio-enxofre no mundo.

A empresa responsável será a britânica Oxis Energy, que vai alugar um galpão dentro do complexo industrial da Mercedes-Benz, em Juiz de Fora, Minas Gerais. O anúncio da chegada da companhia ao Brasil foi feito pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO), por meio da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge).

O acordo prevê investimentos na casa dos US$ 56 milhões, com a criação de mais de 100 empregos diretos. De acordo com apuração do jornal Estado de Minas, a ideia é que as operações tenham início no ano de 2023, com a produção inicial na casa das 300 mil células de bateria por ano e com potencial de crescimento para cinco milhões anuais.

O foco inicial da produção não será para os carros

Embora a indústria automotiva tenha o destaque quando falamos em mobilidade e eletrificação, o foco inicial da Oxis Energy não será esse segmento. Apesar de a fábrica ser alocada no parque da Mercedes, a montadora alemã não se beneficiará dessas células para seus carros e caminhões — pelo menos não neste primeiro momento.

Segundo o governador Zema, a fábrica atenderá as indústrias de defesa e aeroespacial, tripulados e não-tripulados, drones, transporte público, entre várias outras.

É bom lembrar, também, que algumas empresas já dominam tecnologia de baterias de lítio-enxofre, como a australiana Brighsun, que já desenvolveu um dispositivo e o está testando em caráter oficial, podendo iniciar sua produção ainda este ano. Com baterias de alta densidade de energia e baixo custo de fabricação, a indústria pode, de fato, passar por uma revolução.

As principais matérias-primas para as baterias de Li-S são encontradas em abundância na Austrália, com suprimento suficiente para centenas de anos. O custo por kWh fica próximo dos US$ 65, o que pode impulsionar o mercado de veículos elétricos e demais segmentos de mobilidade no mundo todo. Além disso, a Brighsun conseguiu resolver um problema químico que impedia que baterias com essa composição fossem carregadas mais rapidamente e não tivessem uma vida útil maior, situações primordiais para o uso desses dispositivos em veículos elétricos.

Com informações do Canaltech
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