Brasil projeta licitação de 5G para outubro | Foto: AFP

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, disse nesta quinta-feira (19) que o Brasil pretende realizar em outubro a licitação para o lançamento da instalação da 5G, que terá uma rede paralela para uso do governo na prevenção de espionagem.

A gigante chinesa Huawei, sujeita às sanções dos Estados Unidos, ficaria excluída da participação nesta rede governamental pelos termos do edital, mas não do resto da licitação.

“Dentro dessa rede privativa colocamos especificações, algumas empresas que poderão participar e outras, não”, explicou Faria durante coletiva de imprensa virtual com correspondentes internacionais.

“Por exemplo, tem um sócio da Huawei que é fundador e membro do partido comunista da China. Isso seria um dos impeditivos”, acrescentou o ministro.

No entanto, ele destacou que a Huawei não teria interesse em construir essa rede paralela, que atenderia a setores sensíveis como órgãos governamentais, de justiça, Forças Armadas e Banco Central.

“O feedback que tenho é que não têm interesse. Até porque as duas empresas mais especializadas em redes privativas no mundo são a Nokia e Ericsson”, afirmou Faria.

A Huawei está sob sanções dos Estados Unidos desde 2019, porque o governo Donald Trump suspeitou que o grupo seria um cavalo de Troia para espionagem chinesa.

Sob pressão de Washington, governos como os do Reino Unido e da Austrália decidiram excluir a Huawei de seu mercado de rede 5G.

Faria disse que o Brasil tentou encontrar “alternativas para poder superar qualquer questão geopolítica e focar no ponto principal, que era receber a tecnologia 5G”.

“Buscamos atender aquela parte grande da população e do governo que tem medo de espionagem, de algo que pudesse ter um vazamento, independente de ser país A o B”.

O governo estima que a licitação atrairá cerca de 37 bilhões de reais em investimentos (cerca 6,8 bilhões de dólares).

Previsto inicialmente para o primeiro semestre de 2021, o leilão deve contar com a aprovação do Tribunal de Contas (TCU), que encerrará a análise dos termos da convocação na próxima semana.

Após ajuste dos documentos pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Faria espera que a licitação ocorra “entre a primeira e a segunda quinzenas de outubro, no máximo”.

De acordo com os planos do governo, a tecnologia 5G poderá chegar às cidades mais populosas até o final deste ano e ao restante das 27 capitais até julho de 2022.

A nova rede de telefonia móvel vai permitir, segundo o governo, levar conexão aos 40 milhões de brasileiros que ainda não têm acesso à internet.